Vereadores mantêm matança de cães
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quinta-feira, 03 de julho de 1997
Sid Sauer Campo Mourão 
Na sessão mais tumultuada da atual legislatura, a Câmara de Vereadores de Campo Mourão aprovou ontem o substitutivo que mantém o sacrifício de cachorros soltos pelas ruas. A lei está em vigor desde 1964, mas só no início deste ano foi anunciada a implantação da carrocinha para recolher os animais.
A manutenção do sacrifício foi aprovada por 7 a 5. Poucos minutos antes, uma emenda que tornava expressamente proibida a matança dos cães chegou a ser aprovada por 7 a 6, mas o presidente Edson Battilani (PSDB) anulou a votação.
A anulação causou tumulto e a sessão teve que ser temporariamente suspensa. Foi a própria oposição quem pediu uma votação nominal, alegou Battilani. Os vereadores contrários ao sacrifício ainda tentaram convencer o presidente que a matéria já estava vencida, mas ele insistiu na nova votação. Enquanto a sessão ficou interrompida, a bancada do PSDB se reuniu na sala do presidente para pressionar a única tucana que tinha votado contra a matança. Deu certo. Na segunda votação, Maria Dolores Alves, a Lole, votou favorável ao sacrifício.
Eles me garantiram que só vão sacrificar cachorros doentes, justificou a vereadora ao anunciar sua mudança de voto. Recebi pressão de todos os lados, disse após o encerramento da sessão. O vereador Juvenal Viera (PDT), que nas últimas sessões tem votado junto com os tucanos, também mudou seu voto na segunda votação. Preferiu se abster. A segunda votação foi tão confusa que até o presidente, que só votaria em caso de empate, chegou a anunciar seu voto favorável ao sacrifício durante a chamada nominal. Ele percebeu o erro e desconsiderou seu voto.
Vamos à Justiça, anunciou Júlio Vieira (PDT). A emenda já estava aprovada e não poderia ser votada de novo. Foi ele quem apresentou a emenda no início da sessão, na tentativa de evitar a aprovação do substitutivo que mantém a matança dos animais apreendidos que não forem procurados pelos donos. Antes da sessão começar, já havia polêmica. A ala contrária ao sacrifício alegava que a proposta estava em pedido de vistas e só deveria ir à votação em agosto, com o retorno das sessões ordinárias. O Regimento da Câmara, porém, é omisso na questão.
Antes da sessão ser interrompida para repetir a votação, houve uma primeira suspensão temporária. Foi Vieira quem pediu, para cobrar a posição da bancada do PDT. O vereador que deu origem a toda polêmica, José Gilberto de Souza (PDT), não pôde votar. Ele é suplente e quando apresentou o projeto que retirava o sacrifício da legislação atual, estava apenas substituindo Vieira, afastado na época para tratamento de saúde. Outro vereador contrário à matança que não votou foi José Luiz Gurgel (PMDB). Ele estava em Curitiba.


