Vereadores exigem saída de secretário que desmatou área
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 22 de outubro de 1997
Cristine Pieske 
Curitiba
Os vereadores da oposição de Piraquara estão exigindo a demissão imediata do secretário de Meio Ambiente do município, Ari Soares, acusado de haver desmatado ilegalmente uma área de preservação ambiental. O pedido dos vereadores está apoiado em uma denúncia publicada na semana passada pela Folha, em que o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) informava ter multado o secretário em R$ 1.753,89 e que pretendia processá-lo por crime ambiental.
A área desmatada pelo secretário é de aproximadamente quatro mil metros quadrados, às margens da represa da Sanepar. O local, conhecido como Mananciais da Serra, não pode ter sua vegetação retirada porque ameaça o solo próximo à barragem. Sem cobertura vegetal, segundo os técnicos do IAP, há risco de contaminação da água, utilizada para o abastecimento de Curitiba e de outros municípios da Região Metropolitana.
No dia em que a denúncia foi publicada, o secretário negou que tivesse feito o desmatamento, dizendo que as informações haviam sido originadas por fofocas políticas e ataques pessoais sem fundamento. Soares também afirmou que havia apenas roçado parte de sua propriedade particular, onde pretendia plantar mudas de árvores centenárias. Segundo o diretor de Controle de Recursos Ambientais do IAP, Mário Sérgio Rasera, no entanto, o secretário não requereu qualquer pedido de autorização para a retirada das árvores.
O líder da oposição da Câmara de Vereadores de Piraquara, vereador Gabriel Samaha (PSDB), afirma que a denúncia publicada pela Folha foi a gota dágua para que a demissão do secretário fosse pedida. Ele já cometeu uma série de desmandos que não podem mais ser ignorados, diz. Segundo o vereador, Ari Soares já havia sido responsabilizado, em 1990, pelo desmatamento de uma área de pinheiros. Além disso, ele mantém três empregos públicos, o que é proibido por lei, acusa Gabriel Samaha.
Se for convocado oficialmente para comparecer à Câmara eu vou, mas quero deixar claro que tenho todo o direito de fazer o que quiser nas minhas propriedades, rebate Soares.


