A vereadora Elza Correia (sem partido), membro do Centro de Direitos Humanos de Londrina, esteve ontem à tarde no sítio onde a fábrica de baterias Reifor depositou cerca de 1.200 caminhões de resíduos industriais entre os anos de 94 e 95. O objetivo da visita foi chamar a atenção de autoridades para os prejuízos que o lixo tóxico possa trazer ao meio ambiente e às pessoas.
A vereadora lembrou o caso da contaminação por chumbo de membros da família de Valdir Gonçalves Pereira, 46 anos, que era arrendatária do sítio - localizado na Estrada Coroados, a seis quilômetros do entroncamento com a PR-445 (Rodovia Londrina-Mauá) - e que foi obrigada a abandonar a propriedade em dezembro de 95 porque a menina Lilian, na época com 10 anos, apresentou 66 microgramas de chumbo por decilitro de sangue.
Segundo o médico Paulo Gutierrez, professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), a legislação trabalhista considera aceitável o índice de contaminação de até 40 micrograma por decilitro de sangue para profissionais que têm contato diário com o produto. Entre 40 e 60 microgramas é necessária a realização de exame de urina para verificar se há intoxicação. ‘‘Acima de 60 micrograma o portador está intoxicado, seguramente’’, afirma.
Há, ainda, a suspeita de que o chumbo teria contaminado outros moradores de áreas próximas ao depósito e um manancial. ‘‘É necessário que a sociedade reaja, através de suas instituições, contra este verdadeiro abuso, que é lançar lixo tóxico indiscriminadamente’’, enfatiza Elza.
‘‘É necessário que órgãos como o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), a Autarquia do Meio Ambiente (AMA) e a Promotoria do Meio Ambiente tomem medidas drásticas para punir este crime ambiental e iniba outros casos,’’ acrescenta. Elza, que também é membro da Comissão de Meio Ambiente da Câmara Municipal.
De acordo com o advogado da família, Marcelo Leal, a ação judicial, que tramita na 9ª Vara Cível, pede indenização pela casa que a família Pereira construiu no sítio, a lavoura de rami e milho (perdida por causa da contaminação e da necessidade de abandonar a propriedade) e por danos morais, devido à contaminação dos membros da família.
O advogado da Reifor, Braulino Bueno Pereira, assegura que o depósito do lixo tóxico não provoca contaminação ambiental. O advogado assegura, ainda, que a contaminação da família Pereira ocorreu porque fazia escavações no depósito e levava material para derreter em casa. ‘‘Vamos provar isso na Justiça’’, completa Braulino.Paulo WolfgangLembrança ruimFamília Pereira volta ao sítio em que morava quando a menina Lilian foi contaminada, em 95Áureo Nogueira

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