O vereador João de Freitas (PTB), do município de Santa Inês (120 quilômetros ao norte de Maringá), entrou com mandado judicial contra determinação do prefeito Antonio Scadelai (PDT), que o transferiu para fazer serviço de limpeza de ruas, no distrito de Imbiaçaba. Segundo o vereador, a atitude do prefeito é uma represália. Freitas era motorista lotado na Secretaria da Sáude do município. Há cerca de dois anos foi remanejado pelo prefeito para fazer a manutenção do sistema de abastecimento de água no distrito de Imbiaçaba e desde o dia 2 deste mês, foi transferido para fazer a limpeza das ruas. Agora, ele atua como gari e como vereador.
Freitas afirma que, desde que assumiu a prefeitura, Scadelai persegue os adversários. O vereador diz que foi remanejado do cargo no início de 97, logo após a eleição do ex-presidente da Câmara. Ele apoiou o candidato adversário do prefeito, que venceu a eleição. ‘‘Daí veio a primeira transferência e eu deixei de ser motorista para cuidar da água do distrito’’. A situação se repetiu na eleição da Câmara do final do ano passado. ‘‘Agora, o prefeito decidiu me colocar para limpar as ruas. Não tenho nada contra este serviço, mas acontece que o prefeito está querendo me humilhar’’, afirmou Freitas.
Marcos NegriniEncostadoO servidor Geraldo Rodrigues da Silva passa o dia todo sem fazer nadaO presidente da Câmara, Aparecido Lourenço de Oliveira (sem partido), também reclama do prefeito. ‘‘Os servidores ligados ao ex-prefeito estão sendo encostados na prefeitura’’, afirmou. Oliveira era do mesmo partido do prefeito e chegou a apoiá-lo na campanha. Em novembro do ano passado, ele decidiu se aliar à oposição. ‘‘Acho que o prefeito age como um ditador’’.
Por ter se aliado à oposição, Oliveira também foi transferido de cargo na prefeitura. Passou de operador de máquinas para motorista e, há cerca de três meses, está sem fazer nada. ‘‘Estou encostado como os outros funcionários’’. O vereador afirma ainda que ele e o filho foram agredidos por um grupo simpatizante do prefeito. ‘‘Estou sendo ameaçado constantemente e a minha família não tem mais paz.’’
A vice-presidente da Câmara, Luiza Saraiva Silva (PMDB) endossa as críticas dos vereadores e diz que desde que o primeiro ano de mandato, o prefeito age ‘‘como se não tivesse que prestar contas à Câmara’’. Funcionária da prefeitura há mais de 10 anos, Luiza pediu afastamento há um ano. ‘‘O prefeito não aceitou, então eu pedi demissão, mas até hoje não recebi o acerto salarial’’. Segundo a vereadora, os funcionários encostados passam o dia nos fundos da prefeitura sem fazer nada. ‘‘E agora o prefeito está abrindo concurso para contratar mais funcionários’’, disse.
‘‘O município tem 1.950 habitantes e aproximadamente 200 servidores municipais. Cerca de 20 estão encostados e o prefeito abriu concurso para 114 vagas. É muito servidor para uma cidade como Santa Inês’’, diz Luiza.
O ex-fiscal de obras da prefeitura, Geraldo Rodrigues da Silva, 59, é um dos que passam o dia sem fazer nada. Ele é servidor há 15 anos e desde que Antonio Scadelai assumiu a prefeitura, foi afastado de suas funções. Ontem de manhã, Silva e outros funcionários estavam sentados em um banco ao lado da garagem, no pátio municipal.
Prefeito nega Depois de quatro tentativas, a Folha conseguiu falar com o prefeito Antonio Scadelai, ontem às 16h20. Ele disse que estava em uma reunião importante e não podia dar esclarecimentos sobre as denúncias. Scadelai se limitou a dizer que não existe perseguição aos vereadores e funcionários. ‘‘Só acho que, como em qualquer empresa, devemos trabalhar com gente de confiança e, para mim, todos os cargos são de confiança’’, afirmou. Sobre o concurso público, o prefeito disse que não sabe se vai preencher todas as vagas. Scadelai não quis comentar as demais acusações.

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