Vereador solicita explicações sobre reajuste da tarifa
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 07 de janeiro de 1997
Edmara Michetti 
Arquivo Folha/Mário CésarDefesaManoel Lopes (foto da esq.) afirma que só protocolou o pedido no dia 2 porque foi quando a planilha de custos ficou pronta. Alexandre Cordeiro (foto da dir.), da Comurb, adianta que o reajuste dos combustíveis tem grande impacto sobre a tarifa
Arquivo Folha/Dorico da Silva
O presidente da Comissão de Defesa do Consumidor na Câmara, vereador Salvador Francisco (PSDB), protocolou ontem um pedido de informações junto à Companhia Municipal de Urbanização (Comurb) sobre o reajuste de 25% na tarifa do transporte coletivo. O mesmo pedido também foi encaminhado ao prefeito Antonio Belinati. Com o aumento, a tarifa passaria de R$ 0,60 para R$ 0,75. O pedido foi protocolado pela empresa de Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL), no dia 2.
No pedido enviado à Comurb, o vereador quer a cópia do documento de solicitação do reajuste e a confirmação do percentual á(25%) pedido pela TCGL. Além disto, Salvador Francisco pede cópia da planilha de custos que embasou a reivindicação da empresa, cópia da última planilha de custos da Comurb e os percentuais e as respectivas datas dos aumentos concedidos após o Plano Real do Governo Federal. A Comurb tem um prazo de 15 dias para responder à Comissão de Defesa do Consumidor.
Salvador Francisco defende que o aumento não se justifica. O vereador argumenta que a inflação do último ano foi inferior a 10% e que o último aumento concedido à tarifa em Londrina ainda não completou um ano. Em junho do ano passado a tarifa foi reajustada em 20%, lembra.
Além disto, o vereador suspeita do sigilo sobre o pedido, feito um dia após a posse do prefeito Antonio Belinati. A prefeitura sempre comunicou a imprensa com antecedência sobre os aumentos da tarifa. Só fiquei sabendo oficialmente no sábado (dia 04), afirma. Espero que o próprio prefeito, que se diz defensor dos pobres, tenha sensibilidade de não conceder o aumento.
O presidente da Comurb, Alexandre Cordeiro, que continua no cargo até o final desta semana, confirma que o pedido foi protocolado na prefeitura mas ainda não chegou na Comurb. A assessoria de imprensa da prefeitura informa que Belinati não vai se pronunciar sobre o assunto no momento por não ter recebido o pedido.
Sobre o princípio da anualidade dos reajustes de serviços, Cordeiro alega que o próprio Governo Federal quebrou o princípio aumentando os preços dos combustíveis. E o reajuste dos combustíveis sempre tem um impacto sobre a tarifa dos ônibus, diz.
O secretário de Educação, Cléber Tóffoli, nomeado para a diretoria da Comurb e que assume o cargo a partir do dia 11 (sábado), afirma que o pedido da Grande Londrina só deve ser analisado a partir da próxima semana. Até que se defina a nova diretoria, o reajuste é simplesmente um pedido. Ele informa que o pedido deve chegar à Comurb hoje, depois de tramitar por secretarias da prefeitura. Não vamos tomar nenhum procedimento por enquanto, afirma.
O proprietário da TCGL, Manoel Lopes, afirma que o índice tarifário pedido foi baseado em cinco itens: aumento de 9% no preço do óleo diesel; reajuste do preço de chassi e carroceria; diminuição do Índice Passageiro por Quilômetro (IPK); renovação de quatro veículos da frota; e reestudo do método de cálculo tarifário. Só não protocolei no final do ano passado, logo após o aumento do combustível, porque a planilha não estava fechada, afirma Lopes. O empresário alega que não houve sigilo no pedido como sugere o vereador. Não poderia ter protocolado na calada da noite porque a prefeitura estaria fechada.


