Vereador questiona Lei de Incentivo
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quinta-feira, 20 de março de 2003
Antônio Mariano Júniore Fernanda Bressan<br> Reportagem Local 
O vereador Rubens Canizares (PHS) solicitou ontem que a Secretaria de Cultura de Londrina forneça informações sobre os projetos e prestações de conta da Lei Municipal de Incentivo à Cultura nos anos 2001 e 2002. O que motivou o pedido foi a publicação do livro ''Notas de Balcão'', do escritor Leonardo Ribeiro da Silva, conhecido como Leonardo Leon, que teria conteúdos ofensivos à moral. O vereador ocupou a tribuna da Câmara e, em seu discurso, chegou a citar fragmentos da obra que, ao seu ver, se constitui numa ''verdadeira vergonha''.
''Fui obrigado a ler esse lixo cultural'', disse Canizares, acrescentando não entender os motivos pelos quais o Conselho de Cultura, responsável pela seleção dos projetos encaminhados à Lei de Incentivo à Cultura, atual Promic, aprovou o livro. ''Enquanto isso, há pessoas que não tiveram projetos sérios aprovados'', frisou, sem citar nomes. De acordo com as informações do vereador, o livro ''Notas de Balcão'' foi publicado através de captação de recursos da ordem de aproximadamente R$ 6 mil.
O secretário Municipal de Cultura, Bernardo Pelegrini, estava em viagem ontem. Mas o coordenador da incubadora de projetos culturais, Valdir Grandini Alvares, disse que as solicitações do vereador serão atendidas já que todo o processo de seleção e aprovação de projetos inscritos na lei de incentivo tem caráter público portanto aberto a qualquer cidadão.
No entanto, ele frisou que a seleção não obedece à censura prévia o que, em sua opinião, seria uma agressão ao processo criativo. ''Determinadas peças de criação artística podem não contentar algumas pessoas, em especial aquelas conservadoras e com espírito de censura'', analisou. ''Ele (Canizares) está sendo precipitado ao querer censurar o processo cultural da cidade. Se o livro em questão não é adequado a ele ou à sua família, que diga à sua família que não é adequado e pronto. O que não dá para fazer é queimar livros como faziam os nazistas.''
Leonardo Leon esteve na Câmara de Vereadores no fim da tarde. Ele foi informado por sua mãe das críticas que Canizares fez ao seu livro e foi verificar o que de fato aconteceu. ''É um absurdo. Quem são eles para criticar a obra?'', questionou. Ele destacou que sua obra traz contos urbanos que fazem uma sátira ao romantismo underground. ''Eles (os vereadores) não sacaram que é um humor'', apontou. O também escritor Márcio Américo criticou: ''A gente não paga vereador para fazer crítica de livro''.


