Marcos NegriniCrime?Mulher dá gorjeta a flanelinha, em Maringá; vereador quer transformar atividade em crime, propondo multa de R$ 100,00 e prisão ‘FLANELINHAS’O vereador Shinji Gohara (PSDB) protocolou um projeto de lei na Câmara de Maringá proibindo a atividade dos guardadores de carros, conhecidos como ‘‘flanelinhas’’. O projeto prevê multa de R$ 100,00 e prisão para quem transgredir a lei.
Apesar de pedir a criminalização da atividade, o vereador não chega a propor em seu projeto que os flanelinhas ‘‘mofem’’ na cadeia. Ele sugere somente ‘‘o apoio da Prefeitura de Maringᒒ no encaminhamento dos flanelinhas aos programas de auxílio às famílias carentes. ‘‘Com a proibição da atividade, estas pessoas terão que procurar outro serviço nos municípios de origem e aqueles que moram em Maringá terão o auxílio necessário da administração municipal’’, imagina.
Segundo o projeto, os menores que hoje realizam este tipo de serviço seriam encaminhados ao Conselho Tutelar. Gohara também não propõe nenhuma alternativa de trabalho para os eventuais ‘‘sem-flanela’’, futuramente, caso seu projeto vire lei. Sugere apenas que os idosos sejam contemplados pelo Programa de Complementação Alimentar oferecido pelo município.
Segundo Gohara, a atividade dos flanelinhas incomoda a ‘‘maioria dos motoristas’’. Ele afirma que o projeto respeita a Constituição Federal, que faculta ao município a responsabilidade de regulamentar qualquer tipo de atividade nas vias públicas. Ele também acredita que a lei municipal poderá legitimar a prisão dos infratores. De acordo com o projeto, a prefeitura ficará autorizada a firmar convênio com a Secretaria Estadual de Segurança para garantir o cumprimento da lei.
Atualmente, os flanelinhas se concentram em frente a estabelecimentos comerciais do centro da cidade, de dia e à noite. O projeto de Gohara deverá ser colocado em votação em agosto, quando os vereadores retornam do recesso parlamentar.
O flanelinha Durval Martins, 71 anos, diz que o projeto de lei é uma ‘‘ignorância do vereador’’. Ele exerce a atividade há quatro anos e diz que costuma receber cerca de R$ 200,00 por mês cuidando de veículos. Martins é aposentado, e reclama que o salário mínimo que recebe da aposentadoria não dá para pagar as contas. Ele é casado e tem uma filha que é dependente dele. ‘‘O vereador deveria se preocupar com outras coisas mais importantes para Maringᒒ, criticou.

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