Vereador quer proibir atividade
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terça-feira, 29 de julho de 1997
Lucinéia Parra Maringá 
Marcos NegriniCrime?Mulher dá gorjeta a flanelinha, em Maringá; vereador quer transformar atividade em crime, propondo multa de R$ 100,00 e prisão FLANELINHASO vereador Shinji Gohara (PSDB) protocolou um projeto de lei na Câmara de Maringá proibindo a atividade dos guardadores de carros, conhecidos como flanelinhas. O projeto prevê multa de R$ 100,00 e prisão para quem transgredir a lei.
Apesar de pedir a criminalização da atividade, o vereador não chega a propor em seu projeto que os flanelinhas mofem na cadeia. Ele sugere somente o apoio da Prefeitura de Maringá no encaminhamento dos flanelinhas aos programas de auxílio às famílias carentes. Com a proibição da atividade, estas pessoas terão que procurar outro serviço nos municípios de origem e aqueles que moram em Maringá terão o auxílio necessário da administração municipal, imagina.
Segundo o projeto, os menores que hoje realizam este tipo de serviço seriam encaminhados ao Conselho Tutelar. Gohara também não propõe nenhuma alternativa de trabalho para os eventuais sem-flanela, futuramente, caso seu projeto vire lei. Sugere apenas que os idosos sejam contemplados pelo Programa de Complementação Alimentar oferecido pelo município.
Segundo Gohara, a atividade dos flanelinhas incomoda a maioria dos motoristas. Ele afirma que o projeto respeita a Constituição Federal, que faculta ao município a responsabilidade de regulamentar qualquer tipo de atividade nas vias públicas. Ele também acredita que a lei municipal poderá legitimar a prisão dos infratores. De acordo com o projeto, a prefeitura ficará autorizada a firmar convênio com a Secretaria Estadual de Segurança para garantir o cumprimento da lei.
Atualmente, os flanelinhas se concentram em frente a estabelecimentos comerciais do centro da cidade, de dia e à noite. O projeto de Gohara deverá ser colocado em votação em agosto, quando os vereadores retornam do recesso parlamentar.
O flanelinha Durval Martins, 71 anos, diz que o projeto de lei é uma ignorância do vereador. Ele exerce a atividade há quatro anos e diz que costuma receber cerca de R$ 200,00 por mês cuidando de veículos. Martins é aposentado, e reclama que o salário mínimo que recebe da aposentadoria não dá para pagar as contas. Ele é casado e tem uma filha que é dependente dele. O vereador deveria se preocupar com outras coisas mais importantes para Maringá, criticou.


