Vereador quer anular votação que inocentou prefeito
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terça-feira, 04 de maio de 1999
Patrícia Zanin 
O vereador Neuton Oliveira (sem partido) quer anular a votação que livrou o prefeito de Sertaneja (63 km ao norte de Cornélio Procópio), Renato Tavares (PSDB), da denúncia de infração político-administrativa. Na sexta-feira, a Câmara votou o relatório da Comissão Processante que pedia a cassação do mandato de Tavares. Para a acusação ser aceita, seriam necessários dois terços dos votos (6 do total de 9), mas Tavares foi poupado das denúncias de irregularidades na área de saúde, sonegação de documentos e obstrução dos trabalhos da Comissão por cinco votos a quatro.
No ano passado, uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) foi formada para investigar denúncias de irregularidades na área de saúde. Mas, segundo o então presidente da Comissão e hoje da Câmara, Jair Leme (PDT), o prefeito não forneceu documentos e não prestou informações. Com base nessas duas infrações, a Câmara decidiu criar uma Comissão Processante em fevereiro.
Leme informou ontem que a Câmara protocolou no Ministério Público Estadual, Tribunal de Contas e Tribunal de Justiça o relatório parcial contra Tavares. Pelo regimento interno e a lei orgânica, três vereadores não poderiam votar porque as esposas atuam em cargos comissionados na prefeitura, alegou Oliveira, o autor do requerimento.
O prefeito de Sertaneja disse ontem à Folha que acredita que a anulação da votação possa ser feita. Essa briga política só vai terminar no fim do meu mandato, afirmou. Ele diz se sentir injustiçado e hostilizado com as denúncias contra seu mandato. Esse pessoal quer o poder a todo custo. Não vê que eu estou recuperando a prefeitura, pagando em dia, fazendo escola, atendendo a saúde, afirmou.
Ele disse que não pode dispensar os funcionários, mesmo parentes de vereadores, só por causa de discussão política. O prefeito disse que apresentou documentos na Comissão, mas os vereadores não aceitaram os que ele mostrou.


