Vereador propõe vídeo sobre bueiros
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sexta-feira, 31 de julho de 1998
Lucinéia Parra 
Pedaços de pneus, parte de lataria de veículos e muitas garrafas plásticas. Estes materiais são os principais responsáveis pelo entupimento das bocas-de-lobo em praticamente todos os bairros de Maringá. Em alguns casos, por causa do entupimento, é preciso quebrar o asfalto para trocar a tubulação da rede mestra, que recebe a água das duas bocas-de-lobo instaladas em cada lado da calçada. O custo para a recuperação de cada boca-de-lobo pode chegar a R$ 1,2 mil.
Para conscientizar a população sobre os problemas causados pelo entupimento das bocas-de-lobo e os custos dos serviços de recuperação, o vereador Basílio Bacarin (PSDB) está produzindo um vídeo que será exibido nas escolas públicas de Maringá.
O vídeo, segundo Bacarin, vai mostrar todo processo de limpeza das bocas-de-lobo, exibindo com destaque os materiais encontrados em cada caixa. A idéia é apresentar também depoimentos do presidente do Serviço Autárquico de Obras e Pavimentação (Saop), Ivo e técnicos do órgão falando sobre o custo de cada operação de limpeza e como o morador pode contribuir para evitar este tipo de problema.
Temos que conscientizar as crianças e jovens de que é possível colaborar com a administração municipal e que, no final das contas, quem paga pelo serviço de recuperação das bocas-de-lobo é o próprio cidadão, diz Bacarin. Segundo o vereador, a idéia também é reproduzir cenas das enchentes ocorridas nos últimos anos no Rio de Janeiro e São Paulo, provocando destruição e mortes.
De acordo com Bacarin, boa parte dos problemas com as bocas-de-lobo poderia ser evitada se os moradores não jogassem materiais que acabam provocando o entupimento. O engenheiro João Batista Garcia, da Saop, explica que nos bairros mais novos de Maringá a prefeitura está colocando grades nos cavaletes das bocas-de-lobo para impedir a entrada de materiais de grande porte como pneus, garrafas plásticas, entulhos e galhos de árvores.
Já nos bairros antigos, a prefeitura está adotando o sistema de mutirão. Uma equipe com 12 funcionários percorre todas as ruas de um bairro e desentope as bocas-de-lobo. O trabalho é lento, já que para desentupir uma boca-de-lobo, um funcionário leva de uma a duas horas, dependendo da quantidade de materiais e terra depositados na caixa.
Conforme Garcia é muito difícil encontrar uma boca-de-lobo sem lixo e terra. Ele afirma que se os moradores não jogassem entulhos e materiais de grande porte, a terra e as folhas pequenas das árvores, seriam levadas pelas fortes enxurradas.
Em média, os funcionários recuperam de 30 a 50 bocas-de-lobo por dia. Em toda cidade, existem cerca de 36 mil bocas-de-lobo. O sistema de mutirão foi implantado recentemente porque, segundo Garcia, as reclamações dos moradores são muitas e não é possível atendê-las separadamente. Em um dia de trabalho, os entulhos e resíduos retirados das bocas-de-lobo enchem de 4 a 5 caminhões, o correspondente a cerca de 40 metros cúblicos de entulhos.


