Londrina

Arquivo FolhaSem entrevistaJaci Aguiar se negou a falar sobre o assunto com a imprensa: informações só com o advogadoO vereador Jaci Aguiar (PDT) não compareceu, na tarde de ontem, à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público para prestar esclarecimentos ao promotor Bruno Galatti sobre possível envolvimento dele com as contratações irregulares de 212 funcionários pela Companhia Municipal de Urbanização (Comurb). Há a denúncia de que cinco vereadores teriam indicado parentes, amigos e cabos eleitorais para as contratações irregulares - realizadas no início deste ano -, e que o pagamento destes ‘funcionários fantasmas’ estaria indo para a conta bancária dos vereadores.
Os vereadores envolvidos no caso são Orlando Bonilha (PDT) - ouvido por Galatti na última semana -, Jaci Aguiar, Carlos Kita (PTB), Célio Guergoletto (PMDB), e Jorge Scaff (PDT). O advogado de Aguiar, Antonio Carlos Vianna, encaminhou correspondência à Promotoria justificando a ausência do vereador e solicitando que ele fosse interrogado por escrito. Bruno Galatti indefiriu a solicitação, alegando que não há motivos legais para a tomada de depoimento escrito, e intimará Jaci Aguiar para depor na próxima semana.
A poucos metros do Fórum - durante sessão da Câmara realizada na tarde de ontem -, o vereador Aguiar não concedeu entrevista à imprensa sobre o assunto. Ele limitou-se a dizer que esta é ‘‘uma questão legal, separado da política’’, e que a posição dele só será divulgada através do advogado contratado. Antonio Carlos Vianna não deu retorno às ligações telefônicas da Folha.
Bruno Galatti ouviu, nas últimas semanas, cerca de 40 funcionários e ex-funcionários da Comurb envolvidos nas contratações irregulares, mas não informa detalhes à imprensa ‘‘para não atrapalhar as investigações’’. Ele pretende terminar o inquérito e apresentar relatório final até o dia 15, quando se realiza a última sessão ordinária da Câmara neste ano. Ele diz que ouvirá na próxima semana os quatro vereadores que ainda não depuseram.
Na última semana, houve a confirmação de que Bonilha indicou seis pessoas para contratação na Comurb, entre elas sua esposa Luciana Silva Menezes, seu irmão, Luiz Proença, e seu cunhado, Carlos Alberto de Pádua. O assessor do vereador, pastor José Maria Góes, admitiu que alguns destes funcionários indicados depositavam na conta bancária de Bonilha os cheques relativos aos pagamentos da Comurb.
Simultaneamente ao inquérito da Promotoria, a Câmara instalou uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar as denúncias. A CEI é composta por cinco vereadores e presidida por Flávio Vedoato (PTB). Segundo ele, se as irregularidades envolvendo os vereadores forem comprovadas, a CEI proporá a instalação de uma Comissão Processante - para as discussões em plenário - que poderá levar à cassação de mandatos.
‘‘Não queremos nos antecipar aos fatos, para não corrermos o risco de injustiça. Vamos aguardar o relatório final do promotor Bruno Galatti. Daí, vamos nos reunir e tomar uma decisão’’, afirma Vedoato.

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