Vereador garante que se apresenta hoje
Lúcio Flávio Moura
De Londrina
Foragido desde 27 de fevereiro, data da decretação de sua prisão temporária, o vereador e professor de educação física Haroldo Caetano, 48 anos, deve se apresentar hoje à tarde à Polícia Civil de Ibaiti (94 km ao sul de Jacarezinho). O vereador é acusado de matar com um tiro na cabeça a estudante Isadora Santos Silva, 15 anos, na madrugada de 24 de fevereiro, em uma casa alugada por ele para encontros amorosos. No local, foram encontradas maconha e cocaína.
Anteontem, expirado o prazo da prisão temporária e concluído o inquérito, a juíza Vanessa Biassio Mazzutti decretou a prisão preventiva de Caetano, mesmo depois de receber os resultados negativos do exame de resíduo de chumbo nas mãos do vereador. O mesmo exame feito na adolescente também deu negativo. Não posso levar em consideração estes resultados, pois, com certeza, um dos dois atirou, ponderou o delegado Italo Cesar Sêga.
O advogado Cesar Augusto de Mello e Silva amigo pessoal de Caetano (o primeiro é assessor jurídico do Município e o segundo ex-líder do prefeito na Câmara) garantiu à Folha que seu cliente se apresenta hoje, devendo permanecer preso todo o final de semana. Na segunda-feira, ele deve pedir à Justiça a revogação da prisão preventiva e um habeas-corpus para Caetano aguardar o julgamento em liberdade.
A preventiva é incabível neste caso. Ele é réu primário, tem residência fixa e 17 anos de magistério sem máculas. Foi ele também quem comunicou o fato à polícia, se oferecendo para dar sua versão. Além disso, o exame do chumbo deu negativo e a perícia constatou que o tiro foi dado com o cano da arma encostado na cabeça. Não há motivo para a polícia descartar a hipótese de suicídio, defende Silva.
Pela versão do acusado, Isadora se suicidou depois de ficar sabendo que Caetano não queria continuar mais o romance, que já durava seis meses. Em relação à perseguição que o vereador teria feito na noite do crime, o advogado lembrou que ele sabia que a adolescente estava tendo outros casos e queria flagrá-la para provar o adultério. Ela era muito apaixonada por ele e perdeu a cabeça, alega, invertendo a primeira versão da polícia.
O viajante catarinense Roberto Thomé, 20 anos, confirmou em depoimento que na noite em que morreu, Isadora esteve com ele em um motel. De acordo com Thomé, era a primeira vez que se viam e Isadora parecia descontraída.
Os 10 membros da Comissão de Averiguação da Câmara de Vereadores aprovaram o relatório que diz que houve quebra de decoro por parte de Caetano, que poderá se defender mesmo estando preso.





