Vereador ensaia projeto de aumento para secretariado
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segunda-feira, 03 de março de 1997
Apolo Theodoro 
A crise financeira da Prefeitura, pelo jeito, não é empecilho para determinadas investidas rumo aos já combalidos cofres municipais. Depois das tentativas frustradas dos vereadores Jaci Aguiar (PDT) e Sidney de Souza (PST), visando aumentar, ainda mais, as despesas com pessoal, agora foi a vez de Célio Guergoletto (PMDB) lançar o seu balão de ensaio: na sessão de ontem a imprensa tomou conhecimento de um projeto prestes a ser assinado por ele e que pretendia aumentar de 50% para 150% a verba de representação de todo o 1º escalão da administração Belinati. Com isso, a turma do CC1 elevaria seus vencimentos brutos de R$ 4.695,30 para R$ 7.825,20.
Mas, por enquanto, pode desfranzir o cenho, caro contribuinte: assim como não prosperou o projeto de Jaci Aguiar (aquele que permitia contratar parentes do prefeito, vice, secretários e vereadores) e nem o de Sidney de Souza - que pretendia nomear mais um assessor para cada um dos 21 vereadores - o de Célio Guergoletto teve o mesmo destino: a lata de lixo.
É preciso que se diga, porém, que, na condução do processo, Guergoletto teve uma iniciativa no mínimo inovadora: temendo ser queimado, caso o projeto viesse a ser rejeitado em plenário, o ex-presidente da Câmara pediu a suspensão dos trabalhos para discutir com a bancada de oposição, maioria na Casa e da qual ele faz parte, a viabilidade do projeto vir a ser aprovado. Se a bancada não concordar, não vai nem tramitar a matéria, disse Guergoletto antes.
Em defesa da proposta, o vereador do PMDB disse que com os salários pagos hoje pela Prefeitura, nenhum bom profissional, a não ser por amizade com o prefeito, aceita trabalhar no serviço público. Eu vivenciei isso aqui na Câmara quando era presidente: foi muito difícil encontrar um profissional de alto gabarito porque esse salário não atrai ninguém. Secretário tem que ganhar bem, ter dedicação esclusiva, argumentou Guergoletto, sem no entanto encontrar respaldo: dos que falaram, todos se manifestaram contrários à matéria.
Neste momento eu seria contrário, a Prefeitura está em crise e todos sabemos que, quando chegar o meio do ano, vai faltar dinheiro em caixa, descartou Tercílio Turini (PSDB). Num momento em que se fala em demitir funcionários da frente de trabalho, gente que ganha uma mixaria, eu não votaria um projeto desse, completou Antonio Negmar Ursi (PT).
Falando em seguida, Elza Correia (sem partido) afirmou que o momento é inoportuno diante do quadro existente hoje na Prefeitura, vai ser difícil explicar à população, embora entenda que o salário de secretário não é um rio de dinheiro. Já Beto Scaff (PSDB) lembrou que os atuais secretários já sabiam que esse era o salário que iriam receber.
Salvador Francisco (PSDB), por sua vez, alertou para a possibilidade, caso aprovado, do projeto abrir brechas para os vereadores também aumentarem seus salários. Diante de tantas recusas, só restou a Célio Guergoletto, encerrando a reunião, dizer: Vamos interromper a tramitação, o projeto não será mais discutido.


