Vereador é procurado por dar calote em moradores
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terça-feira, 11 de abril de 2006
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba Nas ruas do Centro de Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, é fácil encontrar moradores que tenham ficado no prejuízo com o desaparecimento do vereador Cláudio Cyz (PSDB), no dia 16 de março. Dono de uma empresa de consultoria financeira, Cyz prestava serviços para cerca de 3,5 mil moradores, que juntos podem ter perdido cerca de R$ 60 milhões após o sumiço do vereador. A estimativa é do escrivão Carlos Dias, da Polícia Civil, que investiga o caso desde o dia 22 de março. O vereador é considerado foragido, pois já teve prisão decretada no último dia 7.
A mãe do balconista Fábio José Biscolto, 22 anos, chegou a entregar R$ 39 mil ao vereador. ''Ela vendeu uma chácara e destinou metade do dinheiro para a empresa'', conta. Segundo ele, duas semanas antes do desaparecimento do vereador, já corria um boato na cidade sobre uma possível ''fuga''. ''Ela pensou em tirar o dinheiro mas ele conversou com a minha mãe e disse que estava tudo bem'', comentou.
O argentino Aberlado Cosman, 45 anos, que pode ter perdido R$ 13 mil, também confirma o boato na cidade. ''Eu cheguei a tirar o dinheiro. Mas depois devolvi, porque o vereador desmentiu as histórias'', disse. Funcionário da Câmara Municipal, o argentino aplicou o dinheiro na empresa em março de 2005. ''O vereador parecia ser uma pessoa muito boa'', revela, acrescentando que não já não tem mais esperanças em recuperar o dinheiro.
''Ele era uma pessoa muito confiável, de família tradicional'', confirma o balconista Marcos Krull, 25 anos, que afirma ter se tornado cliente da empresa há seis anos. Segundo ele, o movimento no comércio da cidade chegou até a diminuir depois do sumiço do vereador. ''A cidade inteira ficou no prejuízo. Eu perdi R$ 36 mil'', disse ele, que chegou a votar no vereador nas últimas eleições.
Mas não são todos os moradores que acreditam na tese do ''calote''. O aposentado João de Melo, 71 anos, é amigo do vereador e afirma que havia aplicado R$ 13,4 mil. ''Ele era gente daqui. Não foi calote'', disse. A empresa do vereador contava com cerca de dez funcionários e prometia aumentar a quantia das aplicações dos clientes através da Bolsa de Valores. Entre as supostas vítimas, 400 pessoas já foram ouvidas pela polícia.
O presidente da Câmara Municipal, Marcelo Puppi (PFL), explicou que irá dar início ao processo de extinção do mandato do parlamentar. Cyz terá um prazo de no máximo 5 dias, após publicação da decisão, para justificar as faltas na Casa. Caso contrário, o mandato do vereador será extinto e o suplente Paulo Castagnoli (PSDB) é quem assumirá.
De acordo com o presidente da Casa, o sumiço do vereador ''deixou a população perplexa'', já que Cyz trabalhava com consultoria financeira a mais de dez anos. Além disso, sua família continua trabalhando e morando na cidade. Puppi explicou ainda que uma comissão formada por três vereadores foi formada para que as investigações sobre o caso sejam acompanhadas pela Casa.
''Já sabemos que ele fugiu porque deixou um bilhete para a família, pedindo perdão por deixar as filhas e dizendo para rezar por ele'', comentou o escrivão. Cyz também teria entregue aos funcionários da empresa um mês de salário adiantado. Caso seja confirmado o ''calote'', o vereador pode pegar de 3 a 8 anos de prisão.


