Vereador é mais um acusado em fuga
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quinta-feira, 17 de dezembro de 1998
James Alberti 
O vereador Elton Dal Ponte, de Campina Grande do Sul, Região Metropolitana de Curitiba, é acusado de ajudar na fuga do detento Kelson Luiz do Nascimento, 27 anos, executado quinta-feira passada com sete tiros de revólver, seis deles na cabeça e pescoço. Kelson havia fugido da delegacia de Quatro Barras no dia 28 do mês passado.
O delegado do município, Cariovaldo Andrade Neto, e o investigador Antônio Marcondes são acusados de facilitar a fuga e tentar matar o preso. O investigador teria recebido R$ 500,00 e um computador para abrir os cubículos. A acusação foi feita pelo próprio Kelson, em conversa gravada pela delegada Mônica Meister, uma semana antes de o corpo ser encontrado na Represa do Capivari. Me encheram de bala. Eu só não morri porque não era hora, afirmou Kelson na gravação.
A mulher do vereador, Elisabeth Dal Ponte, negou ontem a participação do marido, tanto na fuga quanto no crime. Ela disse que motivos políticos estão por traz da acusação e que o vereador é o mais interessado que se descubra a verdade.
Elisabeth disse que o vereador já acumula documentos para provar sua inocência. Apesar de negar vínculos de Kelson com o marido, ela confirmou que o detento trabalhou para Dal Ponte durante as últimas eleições. Acredito que fizeram alguma ligação por esse motivo, afirmou. O delegado Stellio Machado, da Delegacia de Homicídios, foi designado para investigar o caso. Ele disse ontem que, se houver indícios de participação no crime, vai indiciar o delegado ou quem quer que seja.
Duas hipóteses são consideradas pela polícia. A primeira, de que Kelson tenha sido morto por Marcondes. O policial teria um caso com a mulher do detento, mas ela nega. Kelson também não teria pago parte do dinheiro combinado para Marcondes facilitar a fuga. A segunda é a de queima de arquivo. Kelson saberia do envolvimento de policiais em crimes.
A gravação foi entregue à Procuradoria da Polícia Civil, que investiga o envolvimento de policias. O corregedor Gilson Garett Algauer, responsável pelas investigações, afirmou que Marcondes está afastado das funções. Ontem, Algauer ouviu a delegada Mônica, que confirmou as acusações do detento. Os inquéritos devem ser concluídos em 30 dias.
Procurado pela Folha, o delegado de Quatro Barras não foi encontrado ontem.


