Vereador é acusado de formação de quadrilha
Empresa esquentava as notas de cargas furtadas de outras cerealistas.
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 17 de setembro de 1997
Empresa esquentava as notas de cargas furtadas de outras cerealistas.
O promotor de Justiça Elcio Arruda apresentou denúncia no Fórum de Mandaguaçu (16 km a noroeste de Maringá) contra o vereador de São Jorge do Ivaí, Baltazar B.C., e mais 11 pessoas, por formação de quadrilha e porte ilegal de arma. Arruda acusa o grupo pelo furto de cerca de 300 mil quilos de cargas agrícolas que foram extraviadas por um esquema de notas frias.
De acordo com o delegado de Mandaguaçu, Maurício de Oliveira Camargo, a quadrilha foi descoberta a partir da prisão em flagrante dos motoristas Antônio Cardoso Pereira e José Marcelo Faglioni. Os dois foram presos em Assis Chateaubriand (87 km ao norte de Cascavel), em maio deste ano, por tentativa de furto de carga da empresa Stella Transportes. Junto com os motoristas, a polícia de Assis Chateaubriand apreendeu uma carreta com placas de São Jorge do Ivaí.
A partir da prisão dos dois, o delegado iniciou investigações e reuniu provas ligando os detidos com o comerciante Francisco B. C. e o dono da carreta apreendida, José Marcelo Faglioni. Francisco e os irmãos Baltazar e M.B.C. são proprietários da Cerealista F. B.C., de São Jorge do Ivaí. A empresa esquentava as notas de cargas furtadas de outras cerealistas.
Conforme o delegado, o grupo tinha dois motoristas que usavam nomes falsos e carretas com placas frias para buscar cargas, principalmente de soja e café. Depois, as cargas eram ‘‘esquentadas’’ na cerealista pertencente aos irmãos C. e comercializadas em várias pontos do País. As cargas desviadas eram transportadas para as empresas compradoras pelos mesmos motoristas que, na sequência, usavam a documentação correta e em carretas também com placas originais.
Durante as investigações, Oliveira Camargo conseguiu apreender três carretas, um Escort (usado como batedor), uma camionete F.1000, dois revólveres e 450 sacas de café. O chefe da quadrilha está foragido. ‘‘A prisão preventiva já foi decretada e estamos à procura para desvendar outros furtos’’, disse Camargo. Ele não quis revelar o nome do provável chefe da quadrilha. Outro integrante do grupo também está foragido. Os dois seriam responsáveis pela distribuição do dinheiro arrecadado com a venda das cargas desviadas.
A Folha tentou ouvir ontem o vereador Baltazar B. C.. Ele não foi encontrado em casa e nem na Câmara.
(atualizado em 28 de janeiro de 2025)





