Vereador desiste de projeto sobre rachas
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 02 de setembro de 2003
Lucinéia Parra<br>Equipe da Folha 
Maringá Depois de ser durante criticado por autoridades policiais e entidades civis, o vereador Walter Guerlles (PSDB) voltou atrás e retirou de pauta o projeto para transformar a pista do antigo aeroporto Gastão Vidigal, em Maringá, em local para ''rachas''. O projeto estava sendo analisado nas comissões internas da Câmara Municipal e deveria entrar em votação na sessão de ontem.
As críticas aconteceram principalmente porque a população ainda está indignada e revoltada com a morte de Fabíula Regina Coalio, 12 anos. A menina foi atropelada por um motorista que disputava racha na Avenida Colombo, no dia 13 de agosto.
Guerlles disse ontem que sua proposta foi mal interpretada e que a intenção não é estimular os rachas. Segundo ele, o projeto visa criar um local específico para quem gosta de velocidade, retirando das ruas e avenidas os motoristas que costumam praticar disputas com os amigos. Ele afirmou que pretende discutir melhor o projeto com a comunidade.
Para o tenente do 4º Batalhão da Polícia Militar (PM), Ideval de Oliveira, a legalização do racha é absurda. Segundo o tenente, os poderes públicos contribuiriam muito mais com a comunidade se criassem mecanismos para coibir definitivamente os rachas. Oliveira acredita que, mesmo em um local específico, a prática de rachas é perigosa tanto para os próprios motoristas quanto para o público que assiste as disputas. Ele acredita que o ''espaço'' idealizado pelo vereador pode contribuir para que muitos jovens se sintam à vontade para imprimir altas velocidades nas ruas e avenidas da cidade.
O projeto também foi criticado por moradores do Bairro Aeroporto, onde está localizado o Gastão Vidigal. Além do risco aos motoristas e moradores, eles também prevêem o aumento de barulho, caso as pistas sejam liberadas para competições de carros.


