Vereador denuncia prefeito por assédio
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terça-feira, 06 de junho de 2000
Sid Sauer Enviado a Farol 
Uma acusação de assédio sexual pode resultar na cassação do prefeito de Farol (25 km a oeste de Campo Mourão), Edson Martins (PSDB). Pelo menos é isso que está sendo pedida numa denúncia apresentada na Câmara de Vereadores. A denúncia é do vereador José Paulo da Cruz (PSDB), um antigo correligionário de Martins. Ele conta que era motorista do prefeito e foi forçado a se licenciar do cargo, segundo denunciou, porque não quis manter um caso homossexual com Martins.
O assunto está tendo grande repercussão entre os 4 mil moradores de Farol, município que este mês faz sete anos. Motorista concursado da prefeitura há cerca de seis anos, Cruz estava lotado no gabinete desde a administração anterior. Ele tem 32 anos, é casado há 10 e tem três filhos. Junto com a denúncia, ele anexou seis cartas que teriam sido escritas pelo prefeito e enviadas a ele. As cartas pedem que Cruz deixe a prefeitura.
O vereador pediu licença da função por dois anos, sem remuneração, em dezembro. Com isso, deixou de receber um salário de R$ 180,00. Como vereador, ele recebe, em média, R$ 650,00 por mês. Eu tinha uma amizade muito grande com o prefeito, mas ele confundiu as coisas, contou o vereador. Cruz diz que chegou a pedir transferência de setor para evitar o constrangimento das cantadas, mas teve o pedido negado.
Segundo o vereador, os bilhetes um deles tem 11 páginas eram entregues pessoalmente pelo prefeito ou através da secretária dele. Todos eram escritos com letra de mão. Nenhum tem assinatura e apenas um é datado 24 de fevereiro de 1999. Cruz diz que começou a receber os bilhetes no final de 1998 e pediu o afastamento um ano depois porque não aguentava mais. Não queria sair da prefeitura porque a função de vereador é passageira, ressalta.
O vereador alega que só agora resolveu denunciar o caso para acabar com os comentários de que ele tinha se vendido. Todo mundo foi sabendo da história e eu virei motivo de gozação na cidade, conta. Cruz vem de família humilde. Ele mora numa casa de madeira, sem pintura, afastada do centro, em rua sem asfalto. Desde que fez a denúncia, prefere ficar em casa porque diz que já recebeu recados com ameaças.
Na denúncia apresentada na Câmara, Cruz pede a cassação de Martins alegando que o prefeito agiu de forma incompatível com a dignidade e o decoro exigidos pelo cargo. Uma sessão da Câmara, ontem à noite, deveria definir os membros de uma Comissão Processante para apurar o caso. A Câmara de Vereadores de Farol é dividida. Tanto oposição quanto situação dizem que têm cinco dos nove membros do legislativo. A cassação precisa de seis votos.


