Vereador decide pagar conta e sem-teto voltam a ter água
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 12 de junho de 1997
Luka Morais 
As 47 famílias do jardim Olímpico 2 (zona oeste) que tiveram suspenso o fornecimento de água no último dia 2, quando a Sanepar retirou os cavaletes individuais pelo atraso no pagamento das contas, voltarão a ser atendidas pela companhia. A partir de hoje, a Sanepar inicia a reposição dos cavaletes para os sem-teto. O serviço deve estar concluído até a próxima semana, segundo informação do gerente metropolitano, Paulo Kishima.
O retorno do abastecimento de água na porta dos barracos foi definido no início da semana, quando o vereador Célio Guergoletto decidiu assumir a dívida das 47 famílias, que totalizava R$ 8.214,00. Eles não têm condições de pagar. Foi um ato de humanidade, diz o vereador.
Na segunda-feira, Guergoletto esteve reunido com a direção da Sanepar e conseguiu uma revisão no valor da dívida, que baixou para R$ 6.900,00. Segundo o gerente Kishima, havia retificações a serem feitas por conta de vazamentos comprovados.
As 10 parcelas de R$ 690,00 serão lançadas na conta de água do vereador. Guergoletto informa que o valor será pago com o salário que recebe da Câmara. Ele destaca que, conforme está registrado em ata, caso os moradores do Olímpico 2 deixem de pagar as próximas contas de água, terão que assumir o débito anterior. A Sanepar vai me passar uma listagem mensal e, se algum morador deixar de pagar a conta, ela retira o nome do beneficiado da lista que estou assumindo.
O vereador disse que, como o problema no local onde vivem 217 famílias é social, procurou a ajuda da Secretaria de Ação Social e até do Programa do Voluntariado Paranaense (Provopar). Como a única resposta que tive foi a falta de verbas, decidi tomar uma providência.
Os moradores receberam também do vereador informações sobre a lei estadual que concede a suspensão do pagamento dos serviços básicos - água, luz e esgoto - aos trabalhadores desempregados ou que tenham renda familiar de, no máximo, um salário mínimo. A lei, de 5 de janeiro de 1993, estipula prazo máximo de seis meses para a concessão do benefício. O problema é que muita gente tem esse direito mas não vai atrás.
O gerente metropolitano da Sanepar acredita que poucos desfrutam do benefício devido ao excesso de documentos exigidos para comprovar a situação. Também porque lá nesse local muita gente que faz bico e acaba se virando, diz.
Kishima espera negociar com o restante dos moradores do Olímpico 2 o pagamento da dívida de cerca de R$ 18 mil, só dos cavaletes comunitários. Estamos dando um prazo e acreditamos na negociação.


