O vereador Santino Canedo (PMDB) de Tamarana (62 quilômetros ao sul de Londrina), anunciou que até a próxima semana entrará com medida judicial para que o prefeito Antônio Belinati confirme ou não o repasse de parte dos recursos da Sercomtel ao município. Canedo entende que Tamarana tem direito a ‘‘muito mais’’ que os R$ 650 mil anunciados anteriormente pelo prefeito. ‘‘Na época da criação do Sercomtel, Tamarana representava 10% da receita do município. Mesmo levando em consideração o número de proprietários de telefones no município, teria direito a cerca de R$ 2 milhões’’, calcula.
Até ontem, o prefeito não havia respondido ao requerimento protocolado por ele na prefeitura de Londrina, em 25 de setembro, pedindo informações sobre o processo de venda da Sercomtel e quanto caberia por lei a Tamarana. Belinati tinha prazo de 15 dias para responder. O vereador entende que houve ‘omissão’ e ‘descaso’ em relação aos direitos de Tamarana, e que por isso decidiu recorrer à Justiça. ‘‘Durante a campanha eleitoral, Belinati falou que ia doar o dinheiro a Tamarana, criou a expectativa, mas não fez nada’’, criticou.
A prefeitura de Londrina vendeu 45% das ações da Sercomtel à Copel, no início do ano, obtendo R$ 186 milhões. Os recursos serão gerenciados pelo Conselho de Gestão Financeira (Cogefi) e deverão ser liberados a partir de fevereiro de 99. O conselho é presidido por Belinati e composto por representantes da Sercomtel, Câmara e secretarias municipais. A aplicação financeira rende ao município R$ 1,3 milhão por mês.
O advogado Alexandre Hauly Camargo, que representa o vereador, diz que o prefeito ‘‘poderá ser responsabilizado criminalmente’’. Ele cita a lei estadual 56/91 que garante, ao novo município, direitos aos bens e serviços do ‘‘município-mãe’’.

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