O 1º suplente de vereador do PDT em Londrina, Jaci Aguiar, será empossado definitivamente em seu novo mandato em sessão solene a ser realizada na Câmara de Vereadores, na próxima segunda-feira. Aguiar assume a vaga deixada por Moysés Leônidas, que se elegeu deputado estadual e toma posse na Assembléia Legislativa do Paraná também na segunda-feira.
A situação de Aguiar é complicada. Ele assumirá o mandato sob ameaça de cassação. É que existe contra ele, aprovada pelo plenário da Câmara, a decisão de formar uma comissão processante que poderá levar à perda do mandato se comprovado o envolvimento e responsabilidade no caso que passou a ser chamado de ‘‘escândalo do leite’’.
No início do ano passado, o presidente da Confepar e da Cativa, Osmar Buzinhani, denunciou três assessores da Câmara por prática de extorsão para que não fossem divulgados resultados de análises da qualidade de leites produzidos por duas cooperativas da cidade. Um dos assessores, Fredemax Mota, trabalhava para Jaci Aguiar, que ocupava interinamente a vaga de Moysés Leônidas, na época secretário municipal de Administração.
Em abril de 98, a Câmara constituiu uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar as denúncias contra os três assessores e o então vereador Jaci Aguiar. O relatório final da CEI, aprovado em junho, concluiu pela responsabilização dos acusados. A investigação da comissão apontou que Aguiar agiu em desacordo com a ética e o decoro parlamentar e que havia indícios de que os assessores tentaram mesmo praticar a extorsão.
O relatório, então, indicou a necessidade da abertura de processo para cassação do mandato do suplente Jaci Aguiar no momento em que ele voltasse a assumir uma vaga na Casa, em substituição a um dos três vereadores do PDT.
O ‘‘escândalo do leite’’ gerou ainda a abertura de inquérito policial, a pedido do Ministério Público. Concluído o inquérito, que foi presidido pelo delegado do 4º Distrito Policial de Londrina, Joaquim Antonio de Melo, quatro promotores da Promotoria de Investigação Criminal (PIC) fizeram denúncia contra Jaci Aguiar e os três assessores.
O juiz da 4ª Vara Criminal, Arquelau Araújo Ribas, acatou o pedido de abertura de processo e deve ouvir os acusados e testemunhas do caso neste ano. Todas as vezes que foi procurado pela Folha, Jaci Aguiar se negou a falar sobre a acusação de envolvimento com a extorsão contra as cooperativas produtoras de leite.

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