Lúcio Flávio Moura
De Londrina
Sustentando sua inocência, o vereador e professor de educação física, Haroldo Caetano, 48 anos, de Ibaiti (94 km ao sul de Jacarezinho), acusado de matar com um tiro na cabeça a estudante Isadora Santos Silva, 15 anos, se apresentou à polícia acompanhado do seu advogado Cesar Augusto de Mello e Silva.
Em seu depoimento, no final da tarde de anteontem, Caetano negou o crime e disse ao delegado Italo Cesar Sêga que Isadora teria se suicidado logo após terminarem o namoro, na madrugada do dia 27 de fevereiro. Desde esta data, o vereador estava foragido. Logo depois do crime, Caetano a socorreu e chamou a polícia, desaparecendo em seguida. Ele disse ao delegado que estava na casa de amigos em Itararé (SP).
Segundo Sêga, o vereador se apresentou discretamente, sem chamar a atenção da população. Caetano tem curso superior e permanece em cela individual na Delegacia de Ibaiti.
A defesa usará o resultado dos exames toxicológicos, enviado semana passada pelo Instituto de Criminalística, em Curitiba, para tentar convencer a juíza Vanessa de Biassio Mazzutti (que decretou a prisão preventiva de Haroldo) a conceder habeas-corpus, em depoimento que deve acontecer na próxima semana no Fórum.
Não foram encontrados traços de drogas no organismo de Isadora. Tampouco foram comprovados que os vestígios encontrados no local do crime eram pontas de cigarro de maconha e cocaína, conforme acreditava a polícia. ‘‘Os laudos disseram que as quantidades eram insuficientes para a análise’’, justificou o delegado. Haroldo e seu advogado negam que ocorresse consumo de drogas na casa alugada pelo vereador para os encontros amorosos com Isadora. Além disso, conforme a perícia, não havia vestígios de chumbo nem nas mãos de Isadora, nem nas de Caetano.
Mello e Silva – que também é assessor jurídico na Prefeitura – sustenta que como réu primário, com residência fixa e 17 anos de magistério sem qualquer incidente, Caetano deve aguardar o julgamento em liberdade.
A Comissão Processante, com poderes de cassação de mandato, instalada há duas semanas para apurar se houve quebra do decoro parlamentar por parte de Haroldo – líder do prefeito Roque Fadel (PTB) ᖠdeve ouvi-lo nos próximos dias. O presidente da comissão, Celso Oliveira Carvalho (PSC), acredita que as provas reunidas pela comissão de averiguação (que precedeu a instalação da atual comissão) são suficientes.

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