Vereador acusado de golpe está foragido
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quinta-feira, 25 de março de 2004
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
A Polícia Civil de Arapongas (37 km a oeste de Londrina) não tinha conseguido localizar até o final da tarde de ontem o vereador Sérgio Onofre da Silva (PMDB), que teve prisão preventiva decretada por denúncia de formação de quadrilha e estelionato. O juiz Carlos Alberto Ritzmann, da Vara Criminal daquela comarca, determinou na última terça-feira a prisão de Onofre e de mais três suspeitos de terem enganado um empresário português no chamado ''golpe do chute''.
Segundo o delegado Sérgio Barroso, o empresário teria entregado ao grupo US$ 30 mil para serem trocados pela quantia respectiva em reais, mais um ágio de 10%. A transação teria sido acertada em fevereiro e o dinheiro nunca teria sido retornado. No final do mês passado, o então delegado de Arapongas, Valdir Abrahão, indiciou os três suspeitos e o vereador, cuja participação no golpe foi apontada por testemunhas.
À época, Sérgio Antônio Ribeiro, que seria assessor de Onofre e também teria participado do golpe, já havia sido detido. O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público (MP), que acatou os argumentos de Abrahão e requisitou a prisão preventiva dos outros suspeitos. Em Arapongas, Onofre responde a processo aberto em 1995 por denúncia semelhante. Ontem, policiais civis realizaram várias diligências para localizar os denunciados, mas nenhum deles foi encontrado.
Segundo Barroso, que assumiu a delegacia de Arapongas este mês, vizinhos de Onofre relataram que a casa do vereador está fechada há dias. Um dos suspeitos, Marciano Roberto Rios Cabral, moraria em Londrina, enquanto Maria José Felici residiria em Arapongas. Nenhum dos dois foi encontrado ontem em suas residências. O quarto suspeito, Arineu Zocante, moraria no interior de São Paulo.
A Folha tentou contatos com Onofre, mas ele não foi localizado. O advogado do vereador, Adolfo Luiz Souza Goes, entrou ontem com pedido de habeas-corpus no Tribunal de Alçada do Paraná. Em entrevista à Folha, Goes afirmou que a decretação da prisão preventiva de Onofre é ''ilegal'', e que Abrahão indiciou o vereador por questões pessoais.
''A prisão preventiva só deve ser utilizada quando o processo corre risco. O vereador prestou depoimento, colaborou. Não há necessidade de prisão preventiva'', disse o advogado. Goes alegou que Onofre está cumprindo normalmente seus compromissos públicos. ''Agora, se ele decidir não se apresentar à polícia, é um direito legítimo que ele tem, um ato de resistência a uma decisão tirânica''.


