Lúcio Flávio Moura
De Londrina
O vereador Antonio Bezerra (PSDB), de Imbaú (104 km ao norte de Ponta Grossa), acusa o prefeito Sidney da Silva Mendes (PFL) de perseguição política. Ele registrou queixa na Delegacia de Telêmaco Borba e acionou o Ministério Público para apurar o tumulto gerado por uma possível ordem do prefeito para impedir sua entrada em um rodeio que comemorava o terceiro ano de emancipação política do município.
‘‘Eu, minha mulher e meus dois filhos fomos humilhados publicamente. Foi um constrangimento terrível. Alguém tem que pagar por isso’’, diz Bezerra, um dos principais nomes da oposição local. Segundo o vereador, ele e sua mulher receberam tratamento discriminatório na noite de 19 de dezembro, quarta e última noite da festa, na qual o acesso era livre.
De acordo com a denúncia enviada à promotoria, seguranças do evento teriam abordado Bezerra, no momento em que ele entrava o recinto, um terreno baldio cercado especialmente para o evento. ‘‘Sem nenhum motivo proibiram que eu entrasse, afirmando estarem cumprindo ordens do prefeito’’, afirma. O vereador também acusa a segurança de o ter empurrado e ofendido sua família com palavras obscenas.
O prefeito nega as acusações, dizendo que Bezerra era, inclusive, um dos convidados da festa. ‘‘Este rapaz está querendo se promover politicamente. Ele provocou todo o tumulto para se aparecer. Não tenho nenhum motivo para dar uma ordem deste tipo’’, ataca Mendes.
Bezerra admite que o prefeito teria voltado atrás depois da confusão (que acabou com a chegada de uma viatura policial) e ido ao local convidá-lo a entrar. ‘‘Mas o estrago já estava feito. Os policiais tentaram revistar a mim e minha a mulher, como se fôssemos criminosos. Me revoltei porque, nos dias seguintes, me tornei alvo de chacota na cidade’’, explica Bezerra, que só registrou a queixa no dia 24, cinco dias após o incidente.
A Polícia Civil de Telêmaco Borba ainda não ouviu o prefeito. Como o delegado titular Ari Nunes está de férias desde o último dia 15, o boletim de ocorrência foi assinado pelo Delegado de Curiúva, José de Aquino Figueiredo, que chefiou a delegacia de Telêmaco até a semana passada. Atualmente quem ocupa interinamente o cargo é o delegado Fernando Furlanetto, que disse à Folha que ‘‘nem está sabendo do caso’’.