Vereador acusa MST pelo processo de seleção
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quinta-feira, 13 de agosto de 1998
Lucinéia Parra 
O vereador Valdir Aparecido Antunes (PFL), de Itaguajé (110 quilômetros ao norte de Maringá), denunciou ontem o critério de seleção do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para escolha das famílias que vão receber o título de imissão de posse da Fazenda Santa Cecília. Segundo ele, a maioria das famílias escolhidas é de outras regiões, enquanto as famílias do município ficaram de fora. Não podemos aceitar que sem-terra de fora seja beneficiado em prejuízo ao nosso pessoal, alega.
Antunes disse que o Incra está assentando, na grande maioria, as famílias indicadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que deixou de fora as famílias de Itaguajé. Ele afirmou que das 60 famílias que farão parte do assentamento, apenas 12 são do município. Segundo o vereador, o município tem 219 famílias cadastradas, esperando áreas.
O vereador também disse que em outubro do ano passado ele participou de uma reunião organizada pelo movimento, onde a coordenação prometeu que as áreas desocupadas em Itaguajé seriam destinadas às famílias locais.
Segundo Antunes, as famílias de trabalhadores rurais sem terra de Itaguajé estavam no acampamento da Fazenda Água Amarela, ocupada ano passado, mas depois foram para a Fazenda Santa Cecília porque se sentiram enganadas pelo MST. É uma vergonha o que o MST está fazendo com os nossos trabalhadores rurais, que realmente têm vocação para o trabalho rural e estão aguardando um pedaço de terra, argumentou.
O Incra precisa ter mais cuidado na escolha das famílias para os assentamentos, disse. A Fazenda Santa Cecília foi ocupada em novembro do ano passado por sem-terra de Itaguajé e de outras regiões. A área tem 545 alqueires. A Folha não conseguiu falar com o superintendente do Incra no Paraná, Petrus Abi-Abib. Os coordenadores do MST na região também não foram localizados em Paranacity, onde fica a sede do movimento.


