Londrina

César AugustoPena menorErasmo Torres no banco dos réus: jurados acataram tese da defesaO verdureiro Erasmo Cordeiro de Torres, 22 anos, foi condenado a 16 anos e oito meses de reclusão em regime fechado pelas mortes de sua ex-namorada, a estudante Silvana Pinheiro de Lima, 19, e do tio dela, Nélson Ferreira, 36. A sentença foi dada ontem pelo juiz Jurandir dos Reis Júnior. Este foi o segundo julgamento de Torres. A pena será cumprida na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL).
O crime aconteceu no dia 5 de junho de 96, quando Torres matou o casal com tiros e depois incendiou o carro em que estavam Silvana e Nélson Ferreira, numa estrada de acesso ao então distrito de Tamarana. O casal - assim como o réu - morava no sítio Boa Esperança, em Tamarana.
A morte ocorreu por volta das 23 horas, quando o casal retornava de uma escola a cerca de 12 quilômetros do sítio, em Tamarana. Os dois seguiam juntos todos os dias para a escola, num carro cedido pelo pai de Silvana. O costume despertou ciúmes em Torres, depois que amigos começaram a suspeitar que Silvana e o tio estivessem mantendo um relacionamento amoroso. O réu é primário e não tem antecedentes criminais.
A maioria do corpo de jurados acatou a tese da defesa de homicídio qualificado privilegiado para os dois casos. O advogado João dos Santos Gomes Filho alegou, durante a defesa, que Torres teria agido impulsionado pelo ciúme. Com isso, o motivo torpe, que predominou no primeiro julgamento, quando Torres foi condenado a 21 anos, foi derrubado.
Na opinião do advogado, o juiz tomou uma decisão ‘‘sensata’’. ‘‘Houve justiça. Estou mais satisfeito que do outro julgamento’’, afirmou Gomes. O advogado afirmou ainda que não vai recorrer da decisão do juiz, mas deve interpelar com relação ao tempo da pena. A intenção do advogado é que a reclusão seja calculada a partir da pena básica prevista para o caso - 12 anos. O juiz determinou os 16 anos e oito meses a partir de 14 anos.
Se conseguir a redução, o advogado acredita que depois de dois ou três anos em regime fechado, seu cliente progrida para o semi-aberto (Colônia Penal). Torres esteve detido nos distritos policiais de Londrina desde a data do crime.
Hoje o Tribunal do Júri se reúne para julgar, a partir das 8h30, Wilson da Silva. Ele é acusado de homicídio qualificado por motivo torpe. Silva teria se desentendido com a vítima, Enock Vieira da Silva, por posse de drogas. Os golpes contra Enock teriam sido desferidos com duas pedras que Silva tinha nas mãos.
Amanhã é o julgamento de Júlio César Madureira, acusado pela morte de Reni Resende dos Santos. E na sexta-feira será julgado Francisco Ferreira da Silva. O caso tem três vítimas: Adeildo Costa de Almeida, Adeildo Filho e Eduardo de Almeida.

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