Cambé O prazer de comer verduras e legumes fresquinhos, colhidos diretamente na horta, faz parte da rotina de 1,3 mil famílias de baixa renda de Cambé (13 km a oeste de Londrina). Integrantes do programa de hortas comunitárias do município, essas pessoas cultivam em espaços cedidos pela prefeitura a maior parte das hortaliças que as alimentam.
A Secretaria Municipal de Ação Social, que coordena o programa, estima que 6,5 mil pessoas sejam beneficiadas pelas hortas, que começaram a ser cultivadas há 23 anos. São 19 terrenos em toda a cidade, cada uma deles com 60 a 80 canteiros entre 100 e 250 metros quadrados. O secretário de Ação Social, Luís Aparecido Roncon, informou que a prefeitura cede sementes e alguns insumos. ''A organização das hortas fica sob responsabilidade das comunidades'', disse.
Como a maior parte dos terrenos é em fundos de vale, a água para irrigação é captada em minas existentes nas proximidades. Quando o recurso não está disponível, a prefeitura cede a água. Agrotóxicos e adubos químicos são proibidos. ''A grande vantagem é que famílias carentes se alimentam com produtos livres dessas substâncias'', acrescentou.
Cleber da Costa, coordenador das hortas, afirmou que o objetivo do programa é reforçar a alimentação das famílias. ''O que sobra, eles vendem. É um reforço importante para a renda de muita gente'', comentou. Com a iniciativa, a Prefeitura de Cambé beneficia, também, a população idosa das comunidades. Como a maioria dos responsáveis pelo cultivo das hortaliças é da terceira idade, o trabalho funciona como uma ocupação para essas pessoas.
Na Vila Santa Izabel, a horta comunitária começou em junho de 1988. ''Tem pouco mais de dez famílias que permanecem na atividade desde essa época'', contou o presidente da horta, Clélio Fazan. Segundo ele, o terreno beneficia 67 famílias de três bairros.
Aposentados de baixa renda perfazem a maioria dos responsáveis pelo plantio. ''Tem gente que, se perder a horta, morre de fome'', afirmou. Creches e escolas da região também se beneficiam através da doação de produtos.
A aposentada Maria Rosa de Oliveira, 70 anos, alimenta 18 pessoas da família com sua produção. Apesar de morar sozinha, ela fornece a feira de parentes e vizinhos com os produtos de sua horta. ''Quando sobra, eu vendo'', contou ela, que já garantiu muito trocado para o leite com a comercialização das verduras e legumes.
Para Maria Rosa, cuidar dos canteiros é também uma terapia. ''Vivo aqui. É o meu esconderijo'', relatou ela. O trabalho tem a mesma função para a dona de casa Maria do Rosário Almeida, 64 anos, que alimenta o marido, cinco filhos e seis netos com as verduras de sua horta. ''A comida fica enriquecida'', analisou. Quando os produtos sobram, ela leva para vizinhos mais necessitados. ''É uma maneira de ajudar'', considerou.
Responsável por dois canteiros há quatro anos, o aposentado Genésio Cabral, 55, já incorporou ao orçamento a venda dos produtos cultivados na horta. ''Mês passado vendi R$ 123,00'', comemorou ele, que também oferta as hortaliças para as famílias de quatro irmãos. Na casa do também aposentado Domingos Salles, 70, que vende suas sobras e as dos vizinhos em um supermercado da cidade, o dinheiro arrecadado já ajudou a pagar muitas contas de água e luz. ''É uma boa ajuda'', disse ele, que costuma doar verduras para escolas do bairro.

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