Verdes protestam contra termoelétrica
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 18 de junho de 1997
Elisa Marilia 
Curitiba
Uma termoelétrica é o caminho mais curto para acabar com o Litoral paranaense. Com esta argumentação, ambientalistas chamaram a atenção da população, ontem na Boca Maldita (Centro de Curitiba), para os prejuízos que a usina poderá trazer ao Paraná, se for aprovada sua instalação no município de Pontal do Paraná, no Litoral. O custo da usina é de R$ 650 milhões, para gerar 700 megawatts.
O projeto de lei 228/97, que deverá ser votado na Comissão de Constituição e Justiça na próxima terça-feira, prevê a instalação de uma usina termoelétrica a carvão por um consórcio de empresas, composto pela Copel, Chelgener, Denerge e Inepar.
Os ambientalistas argumentam que uma usina a carvão produz, além de energia, diversos tipos de resíduos que causam graves problemas ambientais. Para começar, a usina aumentaria muito o tráfego de caminhões nas vias de acesso ao Litoral. Na época da instalação da usina, haverá necessidade de um canteiro grande para a obra, além de vastas áreas para deposição de resíduos sólidos e efluentes.
Uma usina deste porte consome 6,1 mil toneladas de carvão por dia. Mesmo com filtros sofisticados, cerca de 1% a 2% de resíduos sólidos são jogados na atmofera. Estas partículas são as mais finas e perigosas à saúde humana, afirma José Álvaro Carneiro, presidente da Liga Ambiental e representante da Fundação SOS Mata Atlântica. Segundo ele, o Litoral do Paraná terá uma fazenda de carvão e cinzas.
Além disso, insistem os ambientalistas, ocorrerá um aumento da temperatura da água do mar e do ar, de umidade e de óxido de enxofre. que é o principal causador de chuvas ácidas. As reações químicas entre o enxofre, hidrogênio e oxigênio produzem derivados sulfúricos a que nenhum vegetal ou animal resiste, diz Carneiro.
Pior do que tudo é a posição da Copel, que se nega a discutir a matriz energética para o Estado, reforça o ambientalista. Ele afirma que alternativas não poluentes são igualmente viáveis. As chamadas energias limpas, como a produzida pela queima de gás e as hidrelétricas, são opções que não colocariam em risco o eco-sistema do manguezal do complexo Paranaguá-Cananéia, que serve de berçário natural para muitas espécies de peixes, moluscos e crustáceos. Dependem do mangue 80% a 90% das espécies comerciais de pescado.
O Paraná tem se destacado como um Estado moderno, onde a qualidade de vida do cidadão e o respeito ao meio ambiente estão em primeiro lugar. Com este argumento as organizações não-governamentais esperam pressionar os deputados estaduais para votarem contra a usina termoelétrica.


