Medo, falta de informação, preconceito. Vários são os motivos que desestimulam parte da população a doar sangue. Mas o receio não se justifica. O processo de coleta e transfusão obedece normas rígidas do Ministério da Saúde, e o ato pode salvar várias vidas. Mas você sabe quais os requisitos necessários para ser um doador?
Ao contrário do que se imagina, o forte controle não aumenta as exigências. Os candidatos devem ter entre 18 e 65 anos, pesar no mínimo 50 kg, estar em bom estado de saúde e apresentar algum documento de identificação com foto. No momento da coleta, todos passam por triagem, quando uma avaliação médica é realizada.
Apesar da doação de sangue ser rápida e fácil - todo processo dura em média 40 minutos - o Hemocentro de Londrina passa por um período ruim. De acordo com a diretora técnica da instituição, Cristina Faune, os estoques estão abaixo do necessário. ''Julho e dezembro são habitualmente meses críticos, devido ao período de férias.''
Além disso, o número de doadores na cidade não é o ideal. Apenas 1,26% dos londrinenses doam sangue - esse índice deveria estar entre 3% e 5% da população. De acordo com a diretora, o Hemocentro faz coleta de 15 pessoas por dia, quando o recomendável é que 60 doem diariamente.
O Hemocentro do município fornece sangue para a Maternidade Municipal e para os Hospitais da Zona Norte, da Zona Sul e Universitário, além de enviá-lo para Jacarezinho e Cornélio Procópio. Precisam de transfusões de sangue pacientes com câncer (que façam quimioterapia e radioterapia), politraumatizados (que sofreram acidentes) ou que vão passar por algum tipo de cirurgia.
Segundo a diretora, a situação preocupa. O Hemocentro não está fazendo campanhas externas (em faculdades e em igrejas) em função das férias - as atividades só recomeçam no próximo dia 21 -, apenas as internas (quando os doadores vão ao centro de coleta).
Cristina diz acreditar que o baixo número de doadores se deve à falta de sensibilidade de parte da população. ''Algumas pessoas fazem a doação apenas quando têm algum parente ou amigo precisando.''
Hemepar - A doação é um gesto simples que ajuda a fornecer um líquido insubstituível nos atendimentos de emergências. A afirmação é do diretor do Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná (Hemepar), Wilmar Guimarães.
Ele explica que o risco de ser contaminado por uma transfusão de sangue é mínimo. ''Hoje os critérios são muito rígidos. Doenças como HIV e Hepatite C tornaram o processo mais questionável, por isso, na menor dúvida, o sangue é descartado.''
No Estado, o número de doadores está dentro da média estipulada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) - entre 3,4% e 3,5% da população. Mas, segundo o diretor, esse número sempre cai durante as férias, os feriados prolongados e o inverno.

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