Verbas não saem. Reforma no HU terá de esperar mais
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quinta-feira, 13 de fevereiro de 1997
Edmara Michetti 
fotos: Dorico da Silva
TEMOR DE CARUARUAlguns exemplos da precariedade do HU: maioria das enfermarias não tem banheiros próprios. Os pacientes ficam sem conforto ou privacidade. O piso de grande parte do hospital está danificado. Corredores são estreitos e dificultam locomoção
A reforma e a ampliação do Hospital Universitário (HU), programadas para começar este ano, vai ter que esperar um pouco mais. A verba de R$ 30,6 milhões, aprovada no orçamento de 96 pelo Governo do Estado, não foi liberada. Na próxima semana, o superintendente do HU, Cláudio Camacho, e o reitor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Jackson Proença Testa, pretendem se reunir com o governador Jaime Lerner (PDT) para pedir a inclusão dos recursos no orçamento de 97.
Estamos atendendo acima das condições, diz Camacho. O hospital está cheio de problemas, estamos alertando há algum tempo. O temor de Camacho, diante das atuais condições de atendimento, é que venha a ocorrer uma tragédia como a do Hospital Universitário de Maringá, onde morreram pacientes por falta de vagas na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), e do hospital de Caruaru (PE), com a morte de pacientes de hemodiálise.
Na primeira fase do projeto apresentado ao governo, o hospital seria ampliado em 200 leitos. Hoje o HU tem 284 leitos. A previsão é que a construção seja concluída em, no máximo, dois anos. A próxima etapa inclui uma reforma geral de adaptação do HU às necessidades de um hospital geral. Inaugurado no início da década de 60, o HU foi construído como sanatório de tuberculosos. A característica do hospital mudou, a demanda cresce anualmente e a estrutura continua a mesma, alega Camacho. No ano passado, foram 207 mil atendimentos. Em 95, foram atendidas 193 mil pessoas. Em 94, 180 mil.
Um dos problemas apontados pelo superintendente do HU são as enfermarias. A maioria delas tem seis leitos e não dispõe de banheiro. Isso acaba criando até mesmo um problema administrativo, porque temos que colocar junto pacientes de diferentes clínicas, sem ter como isolar, afirma o superintendente. Para ir ao banheiro o paciente precisa sair pelo corredor com sonda, soro. A privacidade do paciente fica comprometida. Ele cita o caso de uma adolescente que passou por uma cirurgia no ano passado e precisou ser internada com idosos. Isso piora o lado psicológico do paciente, afirma. Ele cita a Maternidade Municipal Lucilla Ballalai como exemplo a ser seguido por outros hospitais públicos - enfermarias com dois ou três leitos e banheiro.
A distância do Pronto Socorro ao Centro Cirúrgico é outra dificuldade, segundo Camacho. Os dois setores estão separados por 230 metros de corredores e rampas. Como o hospital não dispõe de elevadores, os pacientes traumatizados precisam fazer um trajeto demorado por corredores estreitos, diz. Os corredores que têm 1,80 metro de largura deveriam, de acordo com Camacho, ter no mínimo 2,5 metros.
Oficialmente, o HU faz entre 850 e 1.000 internamentos mensais. Além disso, o hospital registra entre 16 mil e 18 mil atendimentos por mês. Mesmo sem estatísticas da demanda, Camacho afirma que a procura é bem maior: frequentemente são dispensados pacientes do Pronto Socorro. Eles são orientados a procurar outros tipos de serviço de saúde, para dar lugar a pacientes mais graves. O hospital está sempre lotado. Pacientes internados em macas e cadeiras pelos corredores são um rotina diária, lamenta o superintendente.
A lista de espera por uma vaga no centro cirúrgico do HU tem 1.500 doentes cadastrados. Segundo Camacho, alguns doentes chegam a esperar até seis ou oito meses por uma cirurgia. Como não podemos deixar de fazer as cirurgias de emergência, as programáveis têm que esperar, justifica.
O prédio ainda tem problemas nas partes hidráulica e elétrica, que nunca passaram por uma reforma. Segundo Camacho, periodicamente o hospital enfrenta vazamentos e infiltrações devido à deteriorização do encanamento de ferro, com mais de 30 anos. Se não vier o dinheiro para a reforma, o problema tende a piorar, afirma. Não sei como vai ficar.


