Verba escassa ameaça projetos da Apeart
Mário CésarPor recursosPadre Dirceu, da Apeart: esperança em renovar convênios com EstadoO Peart - que possibilitou à dona-de-casa Antônia de Carvalho Macario o acesso à educação básica - foi criado oficialmente em 1993 com objetivo de alfabetizar o trabalhador rural temporário, conhecido como bóia-fria. Faz parte de um projeto maior, chamado Associação Projeto Educação do Assalariado Rural Temporário (Apeart), também voltado para área de educação.
Além do Peart, a associação mantém o Pepo (Projeto Educação dos Posseiros do Estado); o Peju (Projeto Educação do Jovem na Universidade; o Peri (Projeto Educação Reviver Indígena); o Projeto de Educação de Meninos e Meninos de Rua; o Projeto Educação de Jovens e Adultos das Vilas Rurais, que começou este ano; e, finalmente, o Peaba (Projeto Educação dos Atingidos por Barragens), que está em fase de elaboração.
Mas o carro-chefe da associação é mesmo o Peart. Segundo o padre Dirceu Luiz Fumagalli, presidente da Apeart e responsável pela paróquia São Lourenço, na zona sul de Londrina, já passaram pelo projeto pelo menos 15 mil estudantes em 80 municípios do Paraná. Somente este ano, estão matriculados 6,5 mil bóias-frias, somando 280 turmas.
O padre Dirceu lembra que o projeto começou em 1991, com uma experiência piloto no então distrito de Tamarana. O convênio com a Secretaria Estadual de Educação foi firmado em 93, quando as regiões de Londrina, Maringá e Umuarama passaram a ser atendidas. Em seguida, o projeto foi crescendo e atingindo outras cidades.
Apesar do sucesso do Peart e também dos outros projetos desenvolvidos pela Apeart, o padre Dirceu diz que o grande problema para manter as atividades são as dificuldades financeiras. Nem sempre a gente consegue gerenciar perfeitamente todos os projetos, porque o Estado atrasa recursos.
Os recursos do departamento de administração, por exemplo, estão atrasados desde o mês de agosto de 97. Isso prejudica muito o nosso trabalho, lamenta o padre. Ele informa ainda que no ano passado, de um total previsto de R$ 108 mil, a associação recebeu apenas R$ 28 mil. Dirceu Fumagalli acredita que o tema da Campanha da Fraternidade deste ano vem no momento propício, e pode consolidar o trabalho da Apeart.
Para isso, no entanto, será preciso renovar o convênio com o Estado, que vence no final de 98. Se a gente não renovar, alguns projetos estarão fadados ao fracasso. E quem perde com isso são os trabalhadores, que vão deixar de receber educação e organização.





