O Projeto Básico Ambiental (PBA) da Usina de Salto Caxias, com reflexos diretos em Cascavel e outros municípios do Oeste e Sudoeste paranaense, resultará em investimento de R$ 240 milhões até o final de 1998. Os recursos são para minimizar impactos ambientais e sociais, decorrentes da retirada de 630 famílias de pequenos agricultores de margens do Rio Iguaçu e sua transferência para novos locais, além de indenização para 1.120 proprietários de terra. Nos municípios onde serão reassentadas as famílias, haverá diversificação das fontes alimentadoras da economia.
O assunto será apresentado hoje em encontro na Associação Comercial e Industrial de Cascavel (ACIC), com participação de empresários, autoridades, políticos e representantes da Copel e das famílias que serão reassentadas. O encontro é considerado estratégico, por causa da polêmica em torno de uma das áreas escolhidas no município para o reassentamento, a Fazenda Piquiri, onde deverão ser reassentadas 235 famílias. No mesmo local, a Prefeitura pretendia construir o novo aeroporto de Cascavel, com apoio do governo do Estado.
Na reunião de hoje, o gerente da Coordenadoria de Impacto Ambiental, engenheiro Antonio Fonseca dos Santos, detalhará os investimentos do PBA e os reflexos sobre os municípios. Segundo Fonseca, Cascavel será o mais beneficiado, porque das áreas adquiridas para o reassentamento, 85% (cerca de 4,5 mil alqueires, em várias fazendas) estão no município.
O número de propriedades rurais (3,1 mil) será acrescido em 15% e as famílias ocuparão cerca de 11% das terras destinadas para agricultura. Aproximadamente duas mil pessoas deverão ser empregadas diretamente no campo. Os pequenos agricultores também oferecerão ao mercado alimentos básicos, suínos e aves. Já há aptidões levantadas para a produção em cada área e grupos de famílias - agricultura, pecuária, leite -, a partir de um estudo do mercado regional, que indicou as melhores possibilidades de colocação de produtos.
Segundo o coordenador da Comissão dos Atingidos por Barragens do Iguaçu (Crabi), José Uliano Camilo, serão criadas pequenas cooperativas e uma central de processamento de matéria-prima. ‘‘Vamos industrializar tudo o que for possível’’, observa. Explorar o turismo rural e vender produtos coloniais para os visitantes é outra possibilidade. Parcela significativa dos R$ 240 milhões do Projeto Básico Ambiental será exatamente para estruturação destas atividades entre as famílias. Camilo acrescenta: ‘‘Trata-se de gente que sabe produzir e que não precisará de assistencialismo, como ocorre, por exemplo, no caso de sem-terra’’.
Para o superintendente de Empreendimentos Especiais da Copel, engenheiro Ademar Cury da Silva, o PBA também contempla situações paralelas, como indenização pela desativação de atividades comerciais (até mesmo pequenos bares) que ocorrerá ao longo do Rio Iguaçu, ou propriedades que serão apenas parcialmente atingidas pelos alagamentos mas não permitirão o sustento das famílias na parte remanescente. ‘‘Todo o processo visando a minimização de impactos foi amplamente discutido com as comunidades e instituições da região, e dotado de total transparência’’, assegura Ademar Cury da Silva.
As famílias devem ser transferidas até 6 meses antes do fechamento das comportas de Salto Caxias, no final de 98.

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