Emerson Cervi
De Curitiba
O socorro financeiro do governo federal para que os hospitais universitários federais paguem parte dos funcionários celetistas ou terceirizados não terminará com a crise no Hospital de Clínicas do Paraná (HC). Esta é a opinião do diretor de formação sindical do Sinditest (sindicato que representa os funcionários regidos pela CLT no hospital), Luis Fernando Mendes. O HC está entre as 45 instituições que dividirão R$ 60 milhões até o fim do ano para complementar as folhas de pagamento. ‘‘A crise financeira que passa o hospital é um problema administrativo e o reforço de caixa para cobrir a folha não terá nenhum efeito positivo a médio prazo’’, disse. Dos 3.500 funcionários do HC, 1.600 são celetistas e poderão ser incluídos no reforço de caixa. O restante é pago diretamente pelo Ministério da Saúde.
Na última quinta-feira os ministros da Saúde, José Serra, e da Educação, Paulo Renato, assinaram um convênio de repasse adicional de R$ 60 milhões aos hospitais universitários federais que têm funcionários regidos pela Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). Esta verba será destinada aos salários de funcionários pagos com recursos vindos do SUS (Sistema Único de Saúde). Segundo a assessoria de imprensa do HC, o hospital gasta cerca de 60% dos R$ 3 milhões que recebe mensalmente do SUS para pagamento de servidores celetistas.
Em contrapartida, as direções dos hospitais terão que cumprir metas de produtividade estabelecidas pelo Ministério da Saúde. O diretor geral em exercício do HC, Julio Wiederkher, retorna de Brasília na segunda-feira. Ontem, ninguém da diretoria quis falar sobre o convênio. A exigência do cumprimento de metas para receber os recursos tem o objetivo de melhorar a produtividade dos hospitais-escola. A direção do HC ainda não sabe quais serão as metas exigidas do hospital.
Segundo Luis Mendes, os funcionários celetistas estão no limite da produção. ‘‘Para melhorar a produtividade do HC a direção tem que exigir que os médicos trabalhem mais’’, afirmou. O hospital tem 440 médicos contratados, 200 professores de medicina e outros 200 médicos residentes. Com esse efetivo, o HC consegue manter médias de 70 mil consultas por mês. ‘‘Se todos os médicos cumprissem as 20 horas semanais, o hospital poderia fazer até 140 mil consultas por mês’’, disse.Ministérios da Educação e da Saúde vão destinar R$ 60 milhões para que hospitais universitários paguem celetistas
José SuassunaConvênioDos 3,5 mil funcionários do Hospital de Clínicas, 1,6 mil são celetistas e poderão ser incluídos no reforço de caixa

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