Verão é época de conhecer novos lugares e se aventurar em passeios. Mas não só os humanos saem mais de casa nesta época do ano. Cobras, escorpiões, aranhas e taturanas - os chamados animais peçonhentos - também aproveitam os meses quentes para se reproduzir e sair do ninho à procura de alimento. Daí o aumento de acidentes envolvendo estas espécies. Só em janeiro o Centro de Controle de Intoxicações (CCI) do Hospital Universitário (HU) de Londrina registrou dois casos de picada de cobra Jararaca.
Em um dos casos a vítima foi uma criança de nove anos, que participava de um churrasco com a família próximo a uma reserva de mata, a poucos quilômetros do centro da cidade. Desesperados, os familiares adotaram vários procedimentos não recomendados, como tentar sugar o sangue do local, fazer um corte para facilitar a saída do sangue e um torniquete para impedir a circulação. Porém, como o socorro médico foi rápido, consequências mais graves foram evitadas.
A farmacêutica e coordenadora do CCI, Conceição Turini, alerta para o perigo das crendices populares. ''Não se deve, em hipótese alguma, dar bebidas alcóolicas à vítima, sob o risco de agravar o problema. Como alguns venenos atacam os rins, recomendamos que a pessoa beba muito líquido, mas de preferência água.'' Outra recomendação é não colocar qualquer substância ou produtos caseiros sobre a picada. ''O ideal é que a área atingida seja imediatamente lavada apenas com água e sabão. Tentar manter a vítima calma e sem se movimentar demais também é importante, para que a circulação não seja ativada'', ensina Conceição.
O HU de Londrina é o único hospital da região da 17 Regional de Saúde que possui os soros antipeçonhentos específicos para cada espécie e tipo de cobra, além de profissionais treinados para este tipo de tratamento. ''Por isso é importante que, se possível, o animal agressor seja trazido para o hospital, mesmo que morto. Facilita muito o diagnóstico'', alerta a farmacêutica. Quando não é possível a captura do animal, os profissionais de saúde se baseiam apenas nos sintomas.
A coordenadora do CCI lembra ainda que nos casos de crianças o problema pode ter consequências mais graves, mas que tudo depende da quantidade de veneno inoculado. Já a dose de soro a ser administrada independe da idade da vítima, sendo calculada a partir da gravidade dos sintomas, que vão de uma leve dor no local da picada a vômitos e sangramentos.
No caso das serpentes, a farmacêutica explica que uma das formas de identificar as espécies venenosas é pela marca da picada. ''Em geral, as venenosas deixam dois furinhos na pele, e as não peçonhentas deixam a marca de vários dentes ou de um arranhão'', detalha. Outra maneira de identificá-las é pela aparência. A marca registrada da Cascavel, por exemplo, é o guizo na cauda. Já a Jararaca tem desenhos em V invertido e a Coral tem a coloração em anéis vermelhos, pretos, brancos e amarelos.
''Outra característica das cobras peçonhentas, com exceção da Coral, é que elas têm escamas pelo corpo, dando-lhe um aspecto áspero. Elas também possuem pequenos orifícios entre as narinas e os olhos (fosseta loreal), que se assemelham a quatro narinas'', revela Conceição, lembrando que a única que foge à regra, também neste caso, é a cobra Coral.

Serviço: Em caso de acidentes com animais peçonhentos a vítima deve ser levada rapidamente para o serviço médico mais próximo. Dúvidas podem ser esclarecidas por profissionais do Centro de Controle de Intoxicações (CCI), que funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, pelo telefone (43) 3371-2244 ou 0800-722 6001.

mockup