Especial para a Folha
A infra-estrutura do litoral do Paraná para receber a leva de veranistas que se prepara avidamente para o sol não vai estar muito melhor este ano, em relação aos anos anteriores. A expectativa é das próprias prefeituras, que amargam problemas graves - o pior é a falta de saneamento básico. Apenas pouco mais de 20% das casas do litoral são servidas por sistema de água e esgoto.
Em Guaratuba, segundo a Secretaria de Obras do município, esse é o maior problema atualmente. O serviço atende apenas 29% das casas - somente as localizadas no centro da cidade. Sem sistema de captação e tratamento eficiente, o município é obrigado a lançar no mar a maior parte do esgoto, prejudicando a qualidade da água e trazendo perigo de doenças. ‘‘A falta de saneamento básico acarreta muitos problemas para a prefeitura, mas o principal deles é o comprometimento da qualidade da água para os banhistas’’, afirma o secretário de Obras, Artur Teixeira Magalhães. Para o secretário, a qualidade das praias de Guaratuba ainda é considerada razoável, ‘‘mas poderia ser bem melhor’’.
Pontal do Paraná é o município que mais sofre com a falta de saneamento básico, inexistente nos 46 balneários que fazem parte do município. No ano passado o risco de contaminação provocou a interdição de uma faixa de 120 metros de praia no balneário de Ipanema. Segundo a prefeitura, a situação se agrava pela displiscência das empresas que fazem a limpeza das fossas sépticas nas residências. ‘‘Muitas empresas lançam os detritos nos canais de água pluvial, que vão direto para o mar’’, denuncia a diretora do departamento de Urbanismo do município, Tércia Almeida de Oliveira. Ela diz que a única estação de tratamento apropriada para receber esses detritos fica em Guaratuba, mas as empresas preferem um destino mais fácil. Segundo ela, a prefeitura não tem condições de fiscalizar a atividade.
Segundo a Sanepar, responsável pela manutenção e ampliação dos sistemas de água e esgoto no litoral, existe um projeto para ampliar o sistema de saneamento básico em todos os municípios. As obras fazem parte do Programa Paraná-San, que envolve parceria entre governo do Estado e a organização japonesa OECEF. Uma empresa foi licitada para criar o projeto executivo da ampliação, que deve estar concluído até o ano que vem. Obras, só a partir do ano 2000.O verão está perto, mas o litoral do Paraná parece não se lembrar disso. Como em todos os anos, os veranistas que vão descer para as praias - cerca de 1,5 milhão, se mantida a média do ano passado - devem enfrentar problemas como falta d’água, coleta restrita de lixo e praias poluídas pelo despejo de esgoto. As praias de Matinhos, alvo fácil de constantes ressacas, não estarão recuperadas. Outras obras, no entanto, prometem refrescar o verão, como a recuperação do calçadão que liga Matinhos a Caiobá, a dragagem dos canais em Matinhos e a expansão da rede de água e esgoto em Pontal do Paraná.

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