O clima de verão faz aumentar a tensão entre as pessoas e as abelhas. Os dias quentes propiciam o surgimento de muitos enxames que, ao mesmo tempo que garantem mel e a polinização das plantas, fazem crescer o número de ataques desses insetos a pessoas.
Em Ponta Grossa (região dos Campos Gerais), em outubro do ano passado, uma rua teve de ser interditada pelo Corpo de Bombeiros local depois de um ataque. No acidente, sete pessoas ficaram feridas e um cachorro foi morto. No início de 2008, pelo menos 15 pessoas foram picadas por abelhas em Maringá. Os insetos estavam no forro de uma casa e teriam se irritado por causa do calor e do barulho dentro da residência.
O mesmo aconteceu com Amadeu Renato de Campos no quintal de sua própria casa, no bairro Alto da XV, em Curitiba. O restaurador estava roçando o terreno no fundo do quintal quando bateu em um galho com um enxame de vespas. Ele foi atacado por apenas duas, mas foi o suficiente para um grande incômodo. Uma picada nas costas e outra na mão fizeram as duas áreas ficarem tão inchadas que o impediram de realizar qualquer atividade, inclusive trabalhar ou jogar capoeira, esporte que Amadeu pratica.
"A dor foi insuportável, não conseguia nem colocar a mão no chão. Depois de umas horas, fiquei um pouco tonto", relata ele. Mesmo assim, o restaurador não procurou um médico, como aconselham os profissionais. A mão ainda está um pouco inchada, mas ele já não sente dor.
O caso de Campos não é único. De acordo com dados da Associação Paranaense de Apicultores (APA), cerca de 80 pessoas ligam todos os dias para o local em busca de informações e soluções para o problema que as abelhas -involuntariamente- acabam se tornando.
Nos meses de dezembro a março, mais quentes, o número de colméias cresce. Nesse período, os insetos fazem uma produção massiva de mel, trocam de abelha-rainha e criam novos enxames. No inverno, as abelhas entram em uma espécie de hibernação. Por isso a evidência delas é bem maior nas épocas mais quentes do ano.

Desmatamento
O desmatamento também favorece a migração de abelhas das matas para as cidades, diz Miriam Gonzaga de Oliveira, que presta serviços para APA e trabalha com abelhas há 25 anos. Ela explica que um enxame pode chegar à 80 mil abelhas, número assusta qualquer um. "Na verdade, o que as pessoas chamam de ataque é a defesa das abelhas. Só se defendem quando são incomodadas pelas pessoas. Depois de uma ferroada, a abelha morre, pois o ferrão faz parte do sistema nervoso dela", explica Miriam.
Segundo a especialista, o ideal para evitar problemas é fazer a retirada dos insetos -e nunca destruir os enxames, como é comum. Miriam lembra que órgãos como o Corpo de Bombeiros e as prefeituras não fazem mais a retirada de colméias, pois, em vez de retirar os enxames com segurança, acabavam matando as abelhas, o que a lei não permite.
Hoje, apenas empresas privadas podem fazer o manejo desses insetos, que é controlado por lei. De acordo com Roberto Amorim, biólogo de uma empresa que realiza o trabalho, o serviço consiste em retirar os insetos do local onde estão e levar para outro, sem colocar em risco a vida do enxame.
Geralmente as abelhas ficam sob a guarda de apicultores. O processo de manejo dura cerca de duas horas e custa, no mínimo, R$ 100. Amorim conta que a empresa faz a retirada de dez a vinte colméias nos meses de novembro e dezembro e de 30 a 40 ao longo de janeiro e fevereiro. As pessoas, porém, ainda custam a pagar pelo serviço.
O biólogo explica que, ao encontrar os enxames, se deve evitar matar as abelhas, principalmente esmagadas. Quando isso acontece, elas liberam um feromônio que convoca as outras a atacar.
Ao sofrer um ataque, a pessoa deve proteger a cabeça, pois as abelhas se guiam pelo calor do corpo. Miriam diz que, caso as picadas não possam ser evitadas, a vítima deve procurar o auxílio médico.

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