Curitiba - Cerca de metade da arrecadação de R$ 36 milhões anuais de Pontal do Paraná vem do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), em boa parte, pago por donos de imóveis de veraneio. Um dos questionamentos levantados pelo grupo que pede mais respostas sobre a implantação do porto é, justamente, a não participação dos veranistas nessas discussões.
"A audiência pública tem que chegar a eles (os donos de imóveis) para que se manifestem sobre o fato de um balneário virar cidade portuária", defendeu Robertson Fonseca de Azevedo, promotor do Ministério Público estadual.
O prefeito de Pontal do Paraná, Rudisney Gimenes, não pensa assim. "Não é mudar (para cidade portuária), é somar. Vamos continuar com a cidade com vocação turística e ter um porto. Temos 20 e poucos quilômetros de praia que não terão interferência do porto", assegurou. Gimenes aposta no terminal portuário como oportunidade de desenvolvimento e de acréscimo da arrecadação para o município. Mesmo sem ter noção exata do que o porto representaria para o caixa da prefeitura em termos de recolhimento de impostos, a possibilidade de um aumento significativo na demanda por serviços públicos - saúde, educação, saneamento - não o assusta. " Um município que tem um porto vai ter uma arrecadaçao maior, desenvolvimento maior. Evidente, que tem as consequências negativas, também. Mas, o desenvolvimento tem que ser administrado de forma que, com esses recursos, a gente possa administrar os problemas que vierem com o porto".
Ainda de acordo com o prefeito, o plano diretor da cidade já prevê a instalação de um porto e a construção de uma nova via de acesso a Pontal do Sul. Seria uma auto-pista, paralela a rodovia atual (PR-412), a 1,8 mil metros do mar, onde terminam os loteamentos urbanos.
Os moradores de Pontal do Paraná estão divididos e alguns desacreditados sobre a concretização do empreendimento. "O pessoal que vem para cá procura sossego. O movimento do porto atrapalharia bastante esse que é nosso principal atrativo", afirmou a corretora de imóveis Fernanda Correia.
A mãe de Fernanda, Maria Cristina Correia, tem opinião diferente. Ela, que explora um barco de travessia para a Ilha do Mel, acredita que o terminal iria trazer mais oportunidades de serviço para os barqueiros. A dúvida é se o porto sai mesmo. "Ainda não sabemos se vai dar certo. Precisa de uma nova estrada e, para isso, teria muito rio para cortar".(A.L.)

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