Veranico deve acabar no fim de semana
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terça-feira, 25 de julho de 2006
Flora Guedes<br> Equipe da Folha 
Curitiba ''O clima está desorientado'', resumiu a professora aposentada Edith Silva, de 71 anos, sobre o calor fora de época que está castigando, há 17 dias, o solo paranaense. Em Curitiba, os termômetros registraram 27 graus, ontem, enquanto que em Londrina, 29 graus, e em Foz do Iguaçu, 30 graus. Mas foi no Oeste do Estado que esquentou mais. Lá, as temperaturas chegaram a registrar 32 graus, no último domingo. Junto com o calor, veio também a baixa umidade do ar, que neste mês, variou entre 30% a 40% o normal é acima de 50% e o veranico, que costuma ocorre todos os anos em agosto, desta vez, se antecipou para julho.
O Instituto Meterológico Simepar disse que já previa um quadro de estiagem mais rigoroso este ano, e que a regularização das chuvas só vai ocorrer no início da primavera. Mas o órgão também é portador de uma boa notícia: a partir de amanhã, a tendência é que as temperaturas caiam. Isso porque chega uma frente fria continental, que se formou no Pacífico, e vem pela Argentina, e vai conseguir romper o bloqueio atmosférico de ar seco e produzir alguma chuva, no Paraná. ''As chuvas serão bem distribuídas no Estado, mas ainda serão irregulares, se apresentando como chuvas fracas e moderadas e até pancadas'', informa o meteorologista Lizandro Jacobsen.
Logo após a passagem da frente fria, as temperaturas vão diminuir significativamente, já no próximo final de semana. ''Será uma queda brusca e vai predominar em todo Estado. Na região de Guarapuava e Palmas, por exemplo, está previsto cinco graus, no sábado. Na região Centro Sul e Oeste do Paraná vão ocorrer até geadas'', antecipa Jacobsen, acrescentando que em Londrina a mínima será de oito graus. Em Curitiba, de quatro a cinco graus. ''Mas o clima frio é normal para esta época do ano, o que não é normal é o bloqueio atmosférico'', disse o meteorologista.
Jacobsen explica que a situação de veranico é consequência de um forte bloqueio atmosférico, causado pela circulação dos ventos da superficie até as camadas mais elevadas da atmosfera, forçando uma massa de ar seco a estacionar nas regiões Sul, Sudeste e Centro-oeste do País. O fenômeno também provocou o aumento das tempertauras. ''A circulação dos ventos acaba desviando as frentes frias e impedindo que elas entrem nessas regiões com chuvas e frio. O veranico deveria ter durado até 15 dias, mas já estamos 17 dias assim'', disse ele.
''O ar está tá muito abafado e provoca dor de cabeça e problemas respiratórios. Não estou gostando desse calor. Prefiro o frio gostoso que faz no inverno de Curitiba'', desabafou a estudante Larissa Pinheiro, de 17 anos. Enquanto não ocorre a virada no tempo e voltam as temperaturas normais, o jeito é arrumar formas de aliviar o calor. ''Sinto a necessidade de chuva. Minha boca e a pele estão muito secas e me dá uma vontade constante de beber água. Esse clima seco também pode trazer o racionamento de água, o que é ruim demais'', disse o porteiro Daniel Aleixo, de 33 anos, que passeava com o filho no centro de Curitiba. Ambos vestidos com bermudas e sandálias. ''Agora mesmo vamos tomar um sorvete para espantar o calor'', disse ele, com o olhar de aprovação do filho.


