Ney de SouzaQueda de energiaO diretor-técnico da Itaipu, Altino Ventura Filho: feriado e clima ameno ajudam a evitar cortes Ventos de 60 quilômetros por hora derrubaram, anteontem à noite, sete torres de transmissão de Furnas Centrais Elétricas, em Campina da Lagoa, (100 quilômetros ao sul de Campo Mourão). Com a queda das torres, apenas nove das 18 turbinas da Hidrelétrica Itaipu estão em operação. O acidente reduziu a produção de energia elétrica da usina pela metade. A energia que está deixando de ser gerada corresponde a quase duas vezes o consumo de todo o Paraná.
A Eletrobrás está tomando providências para que não haja racionamento de energia elétrica. Outras usinas do País vão suprir os possíveis déficits de energia provocados nos horários de maior consumo.
O ministro de Minas e Energia, Raimundo Brito, estava em Porto Alegre quando foi informado do acidente no Paraná. O ministro pediu à população das regiões Sul e Sudeste que reduza o consumo de energia no horário de pico, entre 18 e 20 horas, para evitar racionamentos.
Segundo o diretor-técnico da Itaipu, Altino Ventura Filho, a população terá que economizar energia. ‘‘Tivemos sorte que o acidente aconteceu numa semana de pouco consumo, devido aos feriados de Páscoa. Mas é necessário que a população colabore’’, recomendou.
Ventura considera que a temperatura amena ajuda na diminuição do consumo doméstico e, por isso, a crise deve ser superada com maior facilidade. ‘‘A última crise que tivemos foi mais difícil de superar porque foi no verão, quando o consumo é maior’’, explicou.
As regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, responsáveis por 80% do consumo total de energia elétrica do País, só terão a situação normalizada no início da próxima semana, quando as torres já estarão totalmente recuperadas. Cerca de 170 técnicos de várias partes do País foram deslocados para o local do acidente para o restabelecimento das torres.
Segundo informações de Furnas, os trabalhos de recuperação do sistema devem ser concluídos em 10 dias, desde que não ocorram chuvas fortes. A empresa ainda não calculou o prejuízo causado pelo vendaval.
Este foi o segundo acidente deste tipo registrado no Estado em menos de cinco meses. No ano passado, um vendaval derrubou 10 torres em Vera Cruz do Oeste (52 quilômetros a oeste de Cascavel). A queda também provocou a interrupção de metade da produção da energia gerada pela Itaipu para os grandes centros consumidores do País. ‘‘Naquela ocasião, a colaboração da população paranaense foi decisiva para evitar o racionamento generalizado de energia’’, lembra o diretor-técnico Altino Ventura Filho.
Atualmente, quatro linhas transportam a energia gerada por Itaipu - duas em correntes alternadas e duas em correntes contínuas. Uma quinta linha, que vai custar R$ 400 milhões, deve ficar pronta dentro de um ano. Com a conclusão da obra, em caso de acidente, o sistema poderá continuar operando com mais segurança.
As torres são projetadas para suportar ventos de até 150 quilômetros por hora em sentido frontal. Os ventos de anteontem não passaram de 60 quilômetros por hora. Apesar de terem resistência maior, as torres não foram projetadas para resistir a ventos circulares, do tipo tornado.

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