Vento e granizo causam danos no Norte e Noroeste
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segunda-feira, 21 de abril de 2008
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
A chuva forte acompanhada de ventos de até 70 km/h e granizo atingiram na tarde de ontem diversas regiões do Estado. Municípios do Norte e Noroeste do Estado foram os mais atingidos. Em localidades rurais da Zona Sul de Londrina, milharais foram destruídos e imóveis foram danificados. Os serviços de telefonia e de energia elétrica foram interrompidos. Danos também foram registrados em Maringá, onde 400 casas foram destelhadas. Não houve registro de feridos. A meteorologia prevê mais instabilidade para hoje.
Nos patrimônios Espírito Santo e Regina, em Londrina, moradores foram surpreendidos pela tempestade por volta das 14h30. As pedras de gelo atingiram o chão com tanta força que destruíram plantações inteiras de milho. Canaviais, bananais e hortas também foram atingidos. Estradas e carros ficaram cobertos por restos de folhas e galhos, que também atingiram a rede de telefonia e de energia elétrica. Técnicos das empresas trabalhavam para deixar tudo arrumado até o final do dia.
Na casa de Izolina Maria de Jesus Francisco, uma telha acrílica ficou toda furada. Não sabia nem mais qual o nome do santo que eu chamava, brincou depois de se recompor do susto. Assustada também ficou a moradora Vanderléia Alves Pereira, que teve parte do telhado de casa arrancado pelo vendaval. Ela contou que só teve tempo de colocar os filhos pequenos embaixo da cama e rezar. Na rua da casa dela, árvores caíram e os moradores se uniram para fazer a desobstrução. A quantidade de granizo foi tanta que a moradora Ivani da Silva Abreu registrou tudo com uma câmera digital. Pedaços de gelo ainda se acumulavam quase duas horas após o temporal.
Em Rolândia, não foram registradas ocorrências graves mas os bombeiros receberam pelo menos 30 chamadas envolvendo destelhamentos e quedas de árvores.
Em Maringá (Noroeste), apenas cinco minutos foram necessários para cobrir de branco telhados e jardins. A chuva começou por volta das 15 horas e atingiu toda a cidade. Depois do temporal, moradores brincavam com as pedras, algumas de vários centímetros de diâmetro, enquanto outros limpavam a sujeira e consertavam os estragos. O analista de publicidade Marcos Ricardo da Silva, comentou que a chuva de ontem foi diferente. Eu nunca tinha visto chover tanto em tão pouco tempo. Em menos de cinco minutos estava tudo coberto de gelo, contou.
De acordo com o capitão Gilberto Gavlovski, do Corpo de Bombeiros, a situação foi crítica em toda a cidade. Até o meio da tarde já haviam sido detectadas mais de 400 casas destelhadas, além de um grande supermercado que também teve o telhado arrancado pelo temporal.
O meteorologista Tarcísio Valentin da Costa, do Simepar, apontou que a instabilidade foi provocada pela união de umidade com temperatura alta e que deve persistir hoje. Ele estimou que os ventos chegaram a 70 km/h. Costa explicou que o granizo ocorre por causa da formação de nuvens altas, que podem atingir até 15 mil metros e chegar a camadas extremamente frias. No interior destes sistemas, formam-se correntes de ventos ascendentes e descendentes, que facilitam a precipitação de cristais de gelo. (Colaboraram Wilhan Santin e Hérika Fondazzi)


