Um forte vento, que durou cerca de três minutos, acompanhado de chuva de granizo, foi o suficiente para destruir os telhados de centenas de casas e as lavouras, principalmente de uva e feijão, na madrugada de ontem, em São Sebastião da Amoreira (47 km ao sul de Cornélio Procópio). Cerca de 80 casas foram totalmente destelhadas e outras 280 tiveram destelhamento parcial, levando pânico à população.
Mais de 150 pessoas estavam desabrigadas ontem e aguardavam uma ordem para se abrigar no Ginásio de Esportes da cidade. Os bairros mais atingidos foram o Conjunto Residencial Benedito Lima da Silva, o Tancredo de Almeida Neves e o Prefeito Sebastião Jorge Bueno. Uma indústria de confecções, inaugurada há pouco mais de 30 dias na saída para Assaí, teve o telhado todo danificado.
Durante todo o dia, funcionários da prefeitura e polícias civil e militar percorriam os bairros, verificando as condições das casas afetadas. Lonas foram cedidas para os moradores, mas em pequeno número. A esperança das famílias carentes era que a prefeitura fizesse a doação de telhas, o que deve acontecer somente hoje.
A dona-de-casa Maria Generosa da Silva teve o telhado de sua casa totalmente arrancado. Durante a madrugada, dormiam quatro pessoas na casa de um único cômodo. ‘‘Foi tudo de repente. Estávamos dormindo e o telhado voou longe. Começamos a nos molhar e a receber o gelo pelo corpo. A proteção foi jogar o colchão em cima da gente’’, lembra. A lona que ela recebeu serviu para cobrir os móveis. A mulher afirmou que vai permanecer na casa, mesmo se chover, até que as telhas cheguem.
A aposentada Maria Conceição Paiva, 69 anos, também teve a casa parcialmente descoberta. Na hora do vendaval dormiam sete pessoas, entre adultos e crianças. Ontem, ela ainda resistia no imóvel, mas afirmou que dormiria em outro local, mais seguro.
No sítio de Aquiles Pires, 47 anos, o prejuízo maior foi na granja de frangos. Das cerca de oito mil aves que engordava para um abatedouro de Londrina, três mil morreram. ‘‘Contando com os animais e o galpão, perdi cerca de R$ 6 mil. Mas com a morte de outros frangos meu prejuízo será maior’’, desabafou.
O prefeito Adevilson Lourenço de Gouveia (PTB) tentava conseguir a liberação de telhas com a Defesa Civil em Curitiba. ‘‘Há exatamente um ano um outro vendaval, com menor intensidade, também trouxe estragos. A sorte que não houve vítimas, ao contrário de 1987, quando duas pessoas morreram’’, comentou.

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