Fortes ventos, acompanhados de chuva, provocaram estragos em residências e derrubaram árvores na cidade de Cascavel na noite de anteontem. A população ficou assustada, com medo de que se repetissem os vendavais que têm sido constantes nos últimos anos na região, provocando grande destruição. Os ventos duraram cerca de uma hora, a partir das 23 horas, e a velocidade das rajadas foi estimada em mais de 100 quilômetros horários. Durante a noite, o índice pluviométrico foi o maior registrado em todo o mês.
A velocidade é medida pela Estação Aeronáutica do Aeroporto de Cascavel, apenas até as 21 horas, horário máximo em que é prestado apoio a aviões que estejam no espaço aéreo da região. Segundo o operador Anderson Cléber de Lima, até aquele horário a velocidade era de apenas 20 quilômetros por hora, ‘‘mas depois as rajadas passaram a ser violentas’’ - embora não constantes, o que evitou maiores estragos na cidade. Não houve comprovação por instrumentos da velocidade do vento.
O controlador observa que em Cascavel ‘‘de uns tempos para cᒒ têm sido registrados ventos de até 150 quilômetros horários. No aeroporto, a ventania chegou a deslocar um avião Caravan, da TAM, para doze passageiros. Os bairros mais altos foram os mais atingidos, com destelhamento de casas e queda de árvores, mas elas também foram arrancadas na região central, em vários pontos. Árvores de grande porte caíram sobre as calçadas, mas não houve feridos porque havia pouca gente nas ruas.
A partir das 9 horas de segunda-feira e o mesmo horário de ontem, o controle de precipitações pluviométricas feito pela cooperativa Coodetec indicou 42 milímetros de chuvas, a maior parte concentrada durante a noite. Segundo Jovir Vicentini Esser, do Núcleo da Secretaria Estadual de Agricultura, nos primeiros 18 dias do mês já são 143 milímetros, superando todo o mês de julho (28 milímetros) e muito próximo de agosto de 97 (159 milímetros). Além de problemas nas cidades, no campo há risco de comprometimento da safra de trigo.
O medo dos moradores de Cascavel quanto à possibilidade de repetição de vendavais fica explícito em pessoas como a dona-de-casa Ilda Terezinha Genoveva, 70 anos, viúva, que mora no bairro São Cristóvão (zona leste), com duas filhas. Ela passou ‘‘uma hora queimando palma e vela benta’’ na noite de anteontem. Muito religiosa, Ilda acha que isso ajuda a proteger, ‘‘porque é uma questão de f钒, e relata que toda vez que o vento sopra mais forte ‘‘a gente entra em desespero, por causa dos vendavais’’.Edson MazzettoAs rajadas, estimadas em quase 100 quilômetros por hora, destelharam casas e arrancaram árvores no centro de CascavelPaulo Pegoraro

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