'Venho porque gosto dele'
Diferentemente da PEL 2, são as namoradas e esposas dos presos do 2º Distrito Policial (DP) de Londrina que chegaram cedo para garantir os primeiros lugares. A reportagem visitou a unidade no final do mês passado, antes da secretaria estadual de Justiça (Seju) assumir o distrito e transformá-lo em regime semiaberto. Os detentos foram remanejados para outras unidades.
No local não havia distribuição de senhas e elas mesmas se organizavam por ordem de chegada. Eram 7 horas manhã de terça-feira e sete mulheres já estavam sentadas em frente ao portão. ''Tem outras, mas elas foram na Rodoviária tomar um café e até tomar banho'', contou uma jovem que havia chegado às 4h30. Muitas delas pedem licença no trabalho ou deixam de estudar no dia para garantir a visita. Elas também não carregam sacolas, já que o dia da ''jumbada'' é somente nas quintas-feiras. ''Hoje só pode entrar com água e bala. E ainda por cima tem que ser descascada'', diz uma delas.
Uma jovem de 22 anos, grávida de quatro meses, cumpre essa rotina há sete meses. Ela reclamou da revista íntima, ''é contrangedor para todo mundo e não dá para acostumar'' e também da fila que se forma em dia de visita. ''Quando chove, a gente fica na chuva. Eu venho porque gosto dele. Sei que ele errou'', relatou.
Uma moça de 18 anos estavam visitando o namorado havia quatro meses. ''Ninguém da minha família aceita e sofro muito preconceito por namorar um preso. Não quero viver em porta de cadeia, mas acredito quando ele diz que vai mudar'', comentou a jovem, que chegou às 4h30.
O horário de entrada é somente às 8h30. Enquanto a hora não chega, elas conversavam sobre a rotina de quem tem um ente preso. Em paralelo à demonstração de afeto, muitas lamentações. Elas reclamaram da visita íntima, que são realizadas no ''cubículo'', nome dado às celas. ''Cada mulher fica com seu companheiro ao lado de mais três casais. Só é separado por lençol. É muito constrangedor'', contou uma jovem. Uma esposa ao lado também reclamou de ter que usar o mesmo banheiro deles, chamado de ''boi''. ''A gente tem que agachar, sem privacidade nenhuma'', disse.
Uma mulher de 35 anos, com expressão assustada, encarava a primeira visita. O marido foi preso por tráfico. ''É a primeira e última. Só estou aqui para saber o que aconteceu de fato. Mas essa vida não é para mim'', reclamou.
O investigador Luciano Romero Melquíades, na época responsável pelo 2º DP, disse que a visita é fundamental para manter a unidade dentro de um limite de controle. ''Os presos ficam mais calmos, pois eles dão muito valor ao vínculo familiar. Além disso, tem a situação da visita íntima'', afirma. (M.O.)





