A pedagoga Angela Xavier contou que o retorno de pacientes ao hospital é comum e que muitas crianças são atendidas mais de uma vez pela equipe de professores. Ela lembrou de uma menina de Sarandi (Noroeste) que passou por cinco internações e acabou sendo alfabetizada dentro do hospital. ''No final do ano, a diretora da escola ligou para o hospital para que nós decidíssimos a nota que o colégio daria à estudante.''
Ela recordou ainda de um menino que ficou dois meses internado no HU e conseguiu recuperar não só as notas, mas a autoestima, nas aulas do Sareh. ''Ele ia ser reprovado na escola, mas ao deixar o hospital, espantou os professores: estava mais participativo e até passou de ano'', contou Angela, para quem o trabalho no hospital é ''muito gratificante''. ''Eu até brinco às vezes que mesmo com a alta dos médicos eu ainda não dei alta da escolinha.''
Para o professor Sevério do Nascimento, mesmo após três anos de trabalho, a equipe ainda está se adaptando à rotina de hospital. ''Gosto muito do trabalho, mas é preciso jogo de cintura. Creio que o que fazemos é uma ação social, ajudando na recuperação do paciente. Muitas vezes, a criança esquece da dor e dos problemas nas aulas. Eles vêem no professor um semelhante, um elo com o mundo lá fora'', descreveu Nascimento, percebendo que os alunos internados ficam mais felizes com a presença dos professores: ''É diferente da sala de aula''.
Já a professora Maria Emília da Silva considera o Sareh um grande avanço da educação do Paraná. ''Nunca imaginei trabalhar num ambiente hospitalar. Para cada aluno atendido cresce a responsabilidade e o papel como educadora, mas venho por amor à causa'', definiu a docente, que garantiu ter crescido profissional e pessoalmente depois da experiência. ''Meu lado humano ficou mais aguçado e saio fortalecida até mesmo das dificuldades.'' (M.G.)

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