Arquivo FolhaMercado promissorFabricantes de produtos para evitar pragas na lavoura movimentam entre US$ 700 milhões e US$ 800 milhões anuaisNos últimos três anos, entre 19 mil e 21 mil toneladas de produtos agrotóxicos foram aplicadas anualmente nas lavouras do Paraná, o que lhe confere o posto de segundo maior mercado consumidor do País, atrás apenas do Estado de São Paulo. O mercado é bastante promissor para as empresas fabricantes, que movimentam entre US$ 700 milhões e US$ 800 milhões anuais, segundo levantamento da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento. Mas o uso desses produtos ainda provoca muitas mortes e intoxicações entre os agricultores.
Estudo feito pela Secretaria da Saúde aponta que, todos os anos, ocorrem aproximadamente 100 mortes e outros 700 casos de intoxicação pelo uso de agrotóxicos. Desse total, 48 são crianças com idade inferior a 12 anos. Os números representam apenas ‘‘a ponta do iceberg’’ e correspondem ‘‘a cerca de 3% dos casos que realmente ocorrem no Estado’’, segundo afirma Astrid Viola, chefe da Divisão de Doenças Não-Transmissíveis do Centro de Epidemiologia do Paraná. Tanto ela quanto o técnico da Secretaria da Agricultura Alvir Jacob, do Departamento de Fiscalização, acreditam que o número de casos de contaminação por agrotóxico supera três mil ocorrências por ano.
‘‘A dificuldade nas notificações por parte da rede pública e da iniciativa do setor de Saúde impede uma ação mais enérgica por parte dos órgãos públicos para reduzir os casos de intoxicação’’, afirma Astrid Viola. Segundo ela, somente a rede pública de Saúde faz notificações sobre o consumo prejudicial de agrotóxicos que afetam a saúde da população. ‘‘E, mesmo assim, deve estar havendo uma subnotificação’’, afirma.
As regiões onde ocorrem mais notificações são Londrina, com 103 casos apurados em 1997; Cornélio Procópio, com 78 casos; Campo Mourão, 65 casos; União da Vitória, 55 casos; Cascavel, 49 casos; Maringá, 47 casos; e Grande Curitiba, com 32 casos. Segundo a Secretaria da Saúde, o campeão dos produtos que provocam intoxicações são os organofosforados, grupo químico dos inseticidas utilizados na maioria das lavouras.
Para Alvir Jacob, a estabilização no consumo dos agrotóxicos nos últimos três anos se deve à redução acentuada das área de trigo e algodão no Paraná. Atualmente, as lavouras de soja, milho e cana-de-açúcar concentram a aplicação de maiores volumes. E, segundo Jacob, os produtos agrotóxicos estão menos letais. Ele afirma que as formulações mais antigas continham quilos de ingredientes ativos por hectare, enquanto as atuais usam gramas de produtos por hectare.
O técnico ressalva que os produtos estão mais nocivos contra as pragas e menos agressivos contra o homem. Mas o manejo de forma irregular, sem qualquer tipo de proteção, é a maior ‘‘dor de cabeça’’ do setor, diz Jacob. É que 63% dos produtos agrotóxicos consumidos no Estado são herbicidas, que utilizam tecnologias variadas, desde a aplicação aérea até a aplicação manual costal (com o pulverizador), sem qualquer tipo de proteção, o que eleva os casos de contaminação.
Outro fator de preocupação por parte da Secretaria da Agricultura é o destino para as 12 milhões de embalagens de agrotóxicos descartadas anualmente. Segundo Reinaldo Skalitz, engenheiro agrônomo da Seab, ainda não existe regulamentação sobre o destino dessas embalagens e elas acabam sendo reaproveitadas nas propriedades rurais. Ele diz ter encontrado uma série de situações de uso inadequado das embalagens, desde a utilização de grandes recipientes (em forma de tambor) como chuveiros até sua transformação em formas para pão.

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