Vânia Moreira
De Umuarama
Termina amanhã o prazo dado pela Vigilância Sanitária de Umuarama para que os vendedores comecem a entregar leite pasteurizado e em carretas térmicas. Até agora, apenas um dos quase 40 leiteiros que entregam o produto de porta em porta adotou as novas normas. Os demais continuam vendendo leite cru, transportado o produto em tambores sem refrigeração e entregando aos consumidores em embalagens plásticas. O secretário de Agricultura do município, Edson Bastos, alerta que quem não adotar as novas regras será proibido de continuar exercendo a atividade.
Estima-se que mais da metade do leite consumido em Umuarama não é pasteurizado. Cerca de 5 mil litros são vendidos diariamente direto ao consumidor pelos próprios produtores ou intermediários. Preço menor, pagamento mensal e a comodidade de receber o produto em casa são alguns dos motivos que levam os moradores de baixa renda a optarem pelo leite cru sem se preocupar com a qualidade do produto e o risco de contaminação. Em exames realizados em 1997, mais de 75% das amostras apresentaram contaminação por bactérias, mastite ou brucelose .
Os leiteiros alegam que comprar leite pasteurizado para revender não dá lucro. Alguns pretendem abandonar a atividade. Outros tentam convencer o município a ajudá-los a montar uma usina comunitária de pasteurização. José Aparecido da Silva entrega leite pasteurizado há um ano e meio e garante que o negócio é viável.
‘‘Eu pego do laticínio a R$ 0,38 centavos o litro e vendo a R$ 0,60 centavos. Dá lucro sim’’, afirma. Silva vendeu leite cru durante nove anos. Quando começou com o leite pasteurizado, revendia 150 litros por dia. Agora já entrega 800 litros diariamente. O produto é transportado em carretas térmicas feitas de alumínio e isopor.
Segundo o secretário Edson Bastos, os vendedores poderão até continuar vendendo leite cru desde que transportem em caixas isotérmicas e entreguem em embalagens descartáveis. ‘‘Não vamos mais tolerar a venda em tambores e embalagens plásticas de refrigerantes’’, avisou. A prefeitura está negociando com um laticínio da cidade um convênio para pasteurizar, embalar e entregar o leite aos vendedores a um custo de R$ 0,12 centavos o litro. ‘‘O vendendor também pode negociar a compra de qualquer ouro latícínio de sua preferência’’.
O trabalho de combate à venda de leite ‘‘in natura’’ começou há dois anos. Na primeira etapa, a Secretaria de Agricultura cadastrou todos os produtores e vendedores e passou a exigir atestados de vacinação contra tuberculose, brucelose e tratamento de mastite de todos os animais ordenhados. Também iniciou campanhas para ensinar os produtores norma de higiene na coleta, manipulação e armazenamento do produto.

mockup