Os vendedores de lanches acataram a solicitação da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) e saíram pacificamente da calçada ao lado do Terminal Urbano de Transporte Coletivo, na área central de Londrina. Parte do grupo foi liberada para comercializar nas ruas do centro e disse que ''espera respeito da administração pública''. A CMTU determinou a retirada para a reforma do terminal, que teve início anteontem.
Até o final da tarde de ontem, apenas dois carrinhos permaneciam no local cobertos por uma lona. Mas, segundo o representante dos 16 vendedores, Rafael Mário da Silva, 29 anos, os proprietários haviam avisado a direção da CMTU que retirariam os equipamentos até a manhã de hoje. Silva foi um dos que trocaram provisoriamente de ponto e está trabalhando na esquina oposta ao terminal. ''Fizemos nossa parte, mas queremos que a CMTU reveja o projeto para podermos voltar ao local depois de 120 dias. Ou voltamos na base do diálogo ou na pressão'', afirmou Silva, que trabalha como lancheiro há nove anos.
O último a sair da calçada, que já estava marcada pelo início das obras de revitalização do entorno do Terminal, foi o autônomo Clóvis Carvalho de Morais, 46. Ao contrário da maioria dos vendedores, Morais decidiu levar equipamentos e mercadoria para a casa. ''Não vou para outro ponto porque sempre trabalhei aqui. A prefeitura acabou com um pai de família'', lamentou o vendedor, enquanto carregava um caminhão com freezer e bebidas.
O presidente da CMTU, Wilson Sella, confirmou ontem que ''existe a possibilidade'' dos vendedores voltarem para a calçada, mas insistiu que a decisão depente do aval da Vigilância Sanitária, ®MDNM¯Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul) e da Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel). ''Podemos definir isso na reunião da semana que vem, mas não posso autorizar sozinho. Dependo de outros pareceres'', disse Sella, destacando que (até a tarde de ontem) apenas dez lancheiros solicitaram o ponto provisório.
As calçadas já havia sido perfuradas anteontem. O local terá tapume ou fitas para isolar a área, já que os funcionários da CMTU usarão produtos químicos, serras e soldas para revitalizar a via. O projeto prevê a recuperação das calçadas do terminal, limpeza das canaletas de águas pluviais, restauração das catracas metálicas de saída e das telas de proteção.
A reunião envolvendo vendedores, Codel, Ippul e Vigilância Sanitária será na terça-feira, às 10 horas, na sede da CMTU.

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