Mais um capítulo na polêmica que cerca a permanência dos lancheiros no Terminal Urbano de Londrina foi encerrado ontem à tarde, e mostrou que o desentendimento entre Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) e vendedores está longe de terminar. Embora uma nova proposta tenha sido discutida a participação de alunos do curso de Arquitetura da Universidade Estadual de Londrina (UEL) no projeto de novos carrinhos de lanches para os ambulantes ainda existem ressalvas e desconfiança por parte dos vendedores.
Otávio Shimba, professor de Arquitetura da UEL, apresentou uma análise da situação, e levantou a proposta de mudança dos ambulantes para as calçadas das ruas São Paulo e Professor João Cândido. Mas a comissão que representa o interesse dos lancheiros rejeitou a idéia, não abrindo mão de permanecer na rua Benjamin Constant. Uma segunda proposta, a readequação dos espaços existentes no passeio e a supressão das baias para estacionamento, foi levantada.
Na próxima segunda-feira, em mais uma reunião para discutir a questão, um arquiteto da CMTU apresentará as modificações possíveis para a área, e o espaço que cada um dos 16 ambulantes poderia utilizar. Shimba propôs que os vendedores sejam ajudados pelos alunos da Arquitetura da UEL, que trabalhariam nos desenhos de carrinhos capazes de diminuir a necessidade de utilização de espaço da calçada. Cada carrinho teria espaço para as necessidades dos ambulantes, como compartimento para bebidas, lixeira e ingredientes do preparo de alimentos, permitindo fluxo normal de pessoas. ''Os ambulantes precisam ser vistos como solução, e em qualquer projeto no local eles têm que se fazer presentes'', defendeu Shimba.
O vereador João Abussafi (sem partido) queixou-se ontem da posição da CMTU dentro das negociações com o vendedores. ''A Codel e a Vigilância Sanitária tem lidado com a questão de maneira mais maleável do que a companhia, que mantém-se muito resistente às mudanças'', queixou-se ao final da reunião. Carlos Xavier, assessor da CMTU para relações comunitárias, disse entender e considerar normal a reivindicação. ''Nós temos a atribuição de zelar pelo aspecto paisagístico e urbanístico de Londrina, e precisamos pensar no bem da cidade como um todo, não somente no dos 16 vendedores'', argumentou, explicando que a retirada das baias de carga e descarga da Rua Benjamin Constant precisam ser avaliadas pelo Instituto de Pesquisas e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul) e pela direção de Trânsito da CMTU.

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