Cerca de 10% das bancas do Camelódromo (Shopping Popular) de Londrina amanheceram fechadas ontem. A novidade é o resultado de um acordo entre os camelôs e a Promotoria de Investigação Criminal (PIC) que proibiu a comercialização de CDs pirateados de música. Segundo Ulisses Sabino presidente da ONG Canaã que representa a categoria a maioria dos comerciantes atingidos pelo acordo substituirão as mercadorias. ''No momento, muitos estão descansando ou comprando um novo estoque'', afirmou.
Josué Pereira da Silva reservou a segunda-feira para limpar e organizar a banca. Ele garantiu que, a partir de agora, venderá tênis e roupas que trará de São Paulo. Para evitar o prejuízo, Silva liquidou os CDs que sobraram no final de dezembro. ''Cheguei a entregá-los por R$ 1,00 cada'', lembra o camelô que faturava entre R$ 800,00 e R$ 1 mil com a venda do produto. Valdir Pereira não teve a mesma sorte do colega. De acordo com ele, 500 unidades ficaram encalhadas. A quantidade de CDs que comercializava era tamanha que a banca ficou enorme depois de vazia. Para eliminar o espaço excedente, ele resolveu dividi-la ao meio e expor roupas e aparelhos eletrônicos.
O operário Henrique Hrescak disse que é favorável à proibição porque isso deverá aumentar a arrecadação de impostos. Por outro lado, ele comentou que o maior prejudicado com esse acordo será o consumidor que terá menos acesso à música barata. A balconista Jociane Soares declarou que, de certa maneira, é contra a medida ''porque ela vai diminuir a renda de muitos trabalhadores''.
O promotor Jorge Fernando Barreto da Costa disse que a fiscalização policial será feita aleatoriamente e sempre à paisana. Quem for flagrado vendendo CDs piratas será preso e terá a mercadoria apreendida. Os games e DVDs não estão livres das blitze. ''Toda reprodução sem licença do autor configura crime. A denúncia formal contra a pirataria musical atraiu mais a atenção de todos, embora isso não seja necessário para aplicação da lei'', admitiu o promotor.
Em 2004, a prefeitura continuará pagando o aluguel do Camelódromo que vendeu muito bem neste final de ano, segundo Sabino. Até hoje, cada um dos 328 camelôs paga cerca de R$ 100,00 para manutenção do local, incluindo os serviços de advogado, contador e seguranças.

mockup