Vendedores ameaçam voltar ao Terminal
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segunda-feira, 30 de junho de 2003
Phoenix Finardi<br>Reportagem Local 
O que deveria ser uma reunião conclusiva entre os vendedores de lanches do Terminal Urbano de Transporte Coletivo de Londrina e a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), ontem de manhã, acabou em frustração e ameaças. Os seis vendedores, que participaram da reunião e esperavam aprovação para o projeto de retorno deles ao Terminal, encontraram oposição por parte do presidente da CMTU, Wilson Sella.
''A minha cabeça mudou depois do acidente que matou o Anderson. Eu estou preocupado com a segurança do usuário e, por enquanto, não vou concordar com a volta dos ambulantes'', disse Sella. Ele se referiu a Anderson Amaurilio, que foi atropelado por um ônibus no dia 13 de junho, durante manifestação contra aumento da tarifa, e morreu no hospital no dia 24.
Sella também descartou a possibilidade de fazer recuos nas paredes do Terminal para abrigar os carrinhos dos ambulantes. ''Temos que dar mais espaço para o usuário e não o contrário'', justificou. Dois projetos, elaborados pela própria CMTU, foram arquivados.
Os ambulantes tentaram, durante quase duas horas, conseguir uma definição do presidente da CMTU: ''O que a gente quer saber é se vai poder voltar para o Terminal ou não'', repetiam. Mas Sella se recusou a anunciar uma decisão. ''Não vou decidir sob pressão'', anunciou. A reunião terminou tensa, com os vendedores fazendo ameaças.
''Eu vou voltar para o Terminal com ou sem autorização. Vou levar meus filhos, derrubamos aqueles tapumes e quero ver quem me tira de lá'', prometeu Rafael Silva. Desde que a reforma começou ele está vendendo lanches na praça Rocha Pombo, mas diz que o negócio vai mal. ''Não vendo mais de 30 lanches por dia e, no Terminal, eu vendia mais de 100.''
A proposta do presidente da companhia é tornar a discussão mais ampla, incluindo os outros vendedores de alimentos no centro da cidade. ''Não tem porque ficar discutindo essa questão de maneira separada. Temos que achar uma solução para todos e não somente para um grupo'', afirmou Sella. De acordo com a CMTU, existem quase 500 vendedores que comercializam alimentos nas ruas da cidade; 150 estariam no centro. No terminal atuam 16 vendedores.
A vereadora Sandra Graça, que coordena uma comissão de trabalho com os ambulantes, também participou da reunião. ''Estou frustrada. Acho um desrespeito o que a CMTU está fazendo. Isso é autoritarismo'', desabafou.


