Vendedora acusa PMs por agressão
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quarta-feira, 29 de setembro de 2004
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
A vendedora Márcia Valéria Teodoro Melo Souza, 39 anos, afirmou ontem que foi vítima de agressão por policiais militares. Ela disse que estava praticando atividade física no Zerão (Área Central de Londrina) e que dois PMs a teriam empurrado, algemado e passado a mão em seus seios. Márcia registrou queixa na 10 Subdivisão Policial (SDP) e ontem à tarde passou por perícia no Instituto Médico-Legal (IML). Até o final da tarde de ontem, ela não havia comparecido ao 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM) para denunciar os policiais.
A vendedora relatou que, no final da tarde de anteontem, foi ao Zerão, onde costuma caminhar. Márcia decidiu andar de bicicleta no local e foi abordada por um PM que a orientou de que seria proibido porque ofereceria riscos às outras pessoas. A vendedora então teria ido até uma lanchonete e pedido para deixar o veículo.
Ao iniciar a caminhada, Márcia reencontrou o mesmo policial. ''Ele olhou feio para mim e eu disse que já tinha deixado a bicicleta'', apontou a vendedora. O policial, acompanhado de outro colega, teria ofendido Márcia verbalmente, a agredido com empurrões e golpes no braço direito, que ainda ontem apresentava diversos hematomas. Depois, o PM teria dito que a vendedora seria presa por desacato à autoridade policial.
Ela então teria sido algemada, jogada ao chão e os PMs ainda teriam puxado sua blusa e passado as mãos em seus seios. ''Eles me colocaram dentro de um camburão e eu fiquei três horas presa numa cela na delegacia'', contou. Na 10 SDP, foi feito um termo circunstanciado.
Segundo a tenente Roberta Mildemberger, do setor de Relações Públicas do 5º BPM, os policiais relataram que Márcia os agrediu verbalmente e que eles utilizaram força física apenas para contê-la.
Procurado pela Folha, o juiz João Luiz Clève Machado, da 1 Vara Criminal, apontou que desacato não pode ser registrado em auto de flagrante e que em casos de termo circunstanciado a pessoa indiciada não pode permanecer em cela. Roberta Mildemberger afirmou que todas as possíveis irregularidades na ação dos policiais serão apuradas. (Colaborou Fábio Galão)


